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segunda-feira, fevereiro 22

O PT não mudou nada com o caso do Mensalão e pagou João Santana no exterior

Duda Mendonça em depoimento da CPI do Mensalão...
foi trocado em 2006 por João Santana, que agora foi pego pelo mesmo crime de Duda
A História é implacável, dura e não perdoa. Ela pode ensinar, mas só quem desejar aprender com ela. A História é soberana e por mais que se queira deturpá-la a verdadeira História sempre virá a tona. Dou como exemplo o que Stálin fez durante o seu período varrendo seus inimigos de fotos e registros históricos, quando o sistema socialista chegou ao fim, em 1991, tudo voltou ao que de fato fora. E, ao que parece, o PT não fez o menor esforço para aprender com seu erros de um passado muito recente.

Em novembro de 2005 Duda Mendonça em depoimento a CPI do Mensalão disse ter recebido pela campanha de Lula em 2002 no Exterior. Lembro-me muito bem da reação de amigos petistas ( alguns nem mais estão no partido, diga-se de passagem ). Foi o momento em que o ex-presidente Lula mais balançou no cargo, porque com isso o PT poderia ter seu registro cassado e ele não poderia nem ser candidato em 2006 e ainda poderia perder o mandato. Como todos sabem o PSDB tomou a erradíssima decisão de deixar ele sangrar no poder e deu no que ( não ) deu. Quando meu livro ficar pronto todos entenderão o porque, mas este é um momento em que nasceu o "mito" Lula e o PSDB encaminhou 3 derrotas seguidas para Presidente. O PT poderia ter aprendido com esse fato, mas...

Hoje o marqueteiro João Santana, que substitui Duda Mendonça ( que sabe-se lá como escapou ileso do Processo do Mensalão ), teve sua prisão preventiva decretada. Ele está no exterior trabalhando na campanha de re-eleição do Presidente da República Dominicana Danilo Medina. Além dele sua esposa Monica Moura, que também é sua sócia, também teve prisão decretada pelo Juiz Sérgio Mouro, com base nas provas apresentadas durante a Operação Lava Jato. Segundo assessoria de João Santana, o casal se entregará a justiça.

Mas qual é o motivo das prisões? Simples: ele recebeu pagamentos no exterior pelas campanhas presidenciais de 2010 e 2014 - além da de Fernando Haddad para a Prefeitura de São Paulo em 2012. Além disso existem fortes indícios de que parte destes pagamentos saíram direto do esquema de valores desviados da Petrobrás. Assim, caso confirmado, existem vários crimes e de difícil explicação por parte do PT e seus aliados.  A cada dia que passa fica ainda mais complicado explicar tantos desmandos, mas este merece uma rápida análise...

Como pode o PT, que se quer tao sério e inteligente, cometer o mesmo erro que quase custou o futuro do partido em 2005? Como pode insistir em errar de modo tao feio? Como pode um partido que pretende ser o modificador da história brasileira cair duas vezes na mesma ilegalidade? A explicação, particular, é só uma: sede poder. O Partido não tem um projeto de Brasil e sim um de poder e na ansia de manter-se no poder fez o que fez, que por sinal é muito pior do que todos os outros fizeram.

Como diz meu colega de Rádio Asa Branca Djaci Nunes esse caso agora é o famoso "batom na cueca", ou seja, não tem defesa. Mas o PT, é claro, vai seguir acusando que é alvo de uma perseguição política, como se fosse possível acreditar nisso quando o Marqueteiro recebeu mais de 3 milhões de dólares no exterior. Lembrando que isso pode levar a cassação do registro do Partido e isso por sua vez, que coisa, poderá tirar Dilma Rousseff do poder. Seria irônico que o partido fosse retirado do poder por repetir o mesmo erro, demonstrando que não aprendeu nada com os erros do passado.

PT e a História. Coisas que, acreditem, não se misturam...

Um comentário:

  1. Flávio, vou aqui replicar um brilhante e irretocável texto do Josias para leitores de alto nível que acessam seu Blog. Leitores esses capazes de ler e formar sua própria opinião a partir de notícias relevantes.

    Mestre no ofício de esculpir imagens alheias, João Santana revela-se um marqueteiro relapso, muito relaxado na administração de sua reputação. É como se desejasse ajudar a força-tarefa da Lava Jato a demonstrar que não há gênio que não tenha, de vez em quando, a nostalgia da desinteligência.

    João Santana revive a aventura brasileira de diante para trás. Da fantasia para a realidade. Parte da fábula —o Brasil fantástico que ele criou nas propagandas eleitorais do PT— e chega à cleptocracia, um país cujo sistema político mantém diuturnamente a honestidade com a cabeça a prêmio.

    A odisseia às avessas de João Santana é um retorno pela trilha pioneira. O desbravador volta para inspecionar a Pasárgada das propagandas de campanha e rever os seus conceitos. Horroriza-se ao constatar que nem a amizade com a rainha o livrou das garras da lei. O filme que protagoniza é um relato de sua decepção.

    Nos videoclipes de campanha, João Santana exaltava o resgate do orgulho nacional. Ensinava que o brasileiro perdera a mania de depreciar o próprio país. Na sua jornada de volta à realidade, o mago do marketing reencarnou o que Nelson Rodrigues chamava de alma do cachorro vira-lata.

    Da República Dominicana, onde se encontrava para cuidar da campanha à reeleição do presidente Danilo Medina, João Santana pôs-se a maldizer a pátria. Em carta endereçada ao partido que o contratara retratou o Brasil como uma República de Bananas, sujeita a inquéritos precários e violações ultrajantes.

    “Conhecendo o clima de perseguição que se vive hoje em dia no meu país, não posso dizer que me pegou completamente de surpresa, mas ainda assim é difícil de acreditar”, escreveu João Santana sobre o despacho em que o juiz Sérgio Moro ordenara sua prisão temporária.

    Na propaganda eleitoral, João Santana esgrimia a tese segundo a qual a lama escorria pelos desvãos da República porque Lula e Dilma haviam soltado as rédeas da Polícia Federal e da Procuradoria. Na sua jornada pelas terras estranhas do Brasil real, o marqueteiro se deu conta de que foi engolfado pelo lodo.

    Subitamente, João Santana passou a enxergar ineficiência nas corporações que exaltava. Retorna ao Brasil, agora sem conta de fadas, para se “defender das acusações infundadas.'' Contra a mentira difundida pela força-tarefa de Curitiba, vai “imprimir a verdade dos fatos.” Tudo o que deseja é “esclarecer qualquer especulação.”

    Alguma coisa subiu à cabeça de João Santana no instante em que foi abalroado pela realidade. A serviço do PT, tirava coelhos da cartola. Como gestor do próprio drama, tenta tirar cartolas de dentro do coelho. Alega que o dinheiro que caiu ilegalmente em suas contas no exterior refere-se a campanhas que realizou fora do Brasil.

    O único ponto em comum que sobrevive entre a fábula e a realidade é a criatividade. Já não há fronteiras a desbravar. Mas o ímpeto continua. A diferença é que o fabulador já percebeu que não mora do país da sua propaganda. Faltando-lhe melhores argumentos, nada mais resta a João Santana senão rodar em círculos no xadrez até ser consumido pela revelação de que, além de advogados, precisa contratar um bom marqueteiro.

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