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sexta-feira, agosto 5

Os cincos maiores momentos de brasileiros em jogos olímpicos

O que é um feito histórico? O que é eterno e jamais será esquecido, mesmo num país sem memória? O que brasileiros fizeram que fazem parte da História Global dos Jogos, não apenas de nosso país? Complicado resumir em apenas cinco, mas se fizesse maior, eu iria alargar demais a lista e tive que deixar feitos espetaculares de fora, alguns que nem conquistaram medalhas, como Maria Lenk que em 1936 em Los Angeles foi a primeira - atenção para esta informação - sulamericana a competir. Mas eu privilegiei fatos com medalhas. A ordem dos feitos está do maior para o que eu considero menor dentre os cincos escolhidos. Espero que gostem...

1 - Helsinque 1952 - Ademar Ferreira da Silva, Ouro no Salto Triplo.
Como explicar o quão fantástico foi este feito? Seria o mesmo que atualmente um brasileiro ganhar um prêmio Nobel, o Oscar de melhor ator, o mundial de esgrima... enfim, algo que de tão surreal choca o mundo. Pois foi isso que a foto acima representa para o mundo: um brasileiro saltando 16,22m ( recorde olímpico e mundial ) e derrotando um Soviético favorito e que era considerado imbatível. Mas existem outros feitos nesta foto: primeiro negro campeão olímpico sem ser representando os EUA, primeiro sulamericano campeão olímpico em prova individual e a primeira medalha dourada do Brasil desde 1920 em Antuérpia, quando Guilherme Paraensa conseguiu a primeira no Tiro. 

Da Silva é uma lenda na Finlândia e um quase desconhecido aqui. Aliás, se perguntarem por ele em frente ao Estádio Olímpico a pessoas com mais de 80 anos, tenho certeza que a taxa de que saberá quem ele é será maior do que aqui no Brasil. Em tempo, 4 anos depois ele se tornaria bi-campeão mundial em Melbourne ( a única antes do Brasil a ser disputada no Hemisfério Sul ). Participou ainda em Londres 1948 e em Roma 1960, onde foi ovacionado de pé por TODOS os que estavam no Estádio Olímpica da cidade eterna. Glória para muito poucos na história.


2 - Londres 1948 - Seleção de Basquete conquista um surpreendente Bronze
Todos sabem ( hummm, será se sabem mesmo? ) que o Basquete Masculino foi bi-campeão Mundial em 1959 e em 1963 - no Rio de Janeiro. Pois bem, essa é a fase dourada do esporte, mas porque o feito de 1948 aparece primeiro, se o time Amauri e Wlamir Marques também conseguiu bronze em 1960 ( Roma ) e 1964 ( Tóquio )? Simples: o ineditismo. Quem imaginaria naqueles tempos que fosse possível um time que nunca conseguira grandes feitos - fora vencer o Sulamericano - pudesse subir no pódio? E que por apenas um ponto não beliscou a prata? E que deixou o time dos EUA espantados com a qualidade do time? Acho que não precisa de mais nada, não é mesmo?

3 - Cidade do México 1968 - Bronze histórico, mas com roubo igualmente histórico
Reclamei do desconhecimento de Ademar Ferreira da Silva, mas o que dizer de Servílio de Oliveira? Quem, Flávio? Pois é, o sósia de Wilson Simonal ali na foto... quem? É, estou pegando pesado. Servílio foi, até os irmãos Falcão, o único medalhista do Boxe. E foi, descaradamente, roubado na luta contra o mexicano, que seria o campeão. Olhem a foto e notem que os outros 3 estão todos insatisfeitos. Claro que quem vence fica feliz, mas muitas vezes os outros também demonstram alguma alegria. Não é o caso aqui, pois o segundo colocado também foi roubado na cara dura. Servílio disse que até os EUA quiseram ajudar em um recurso, dado o exagero que fora feito contra ele. Por isso ele ficou com o terceiro posto.

4 - Los Angeles 1984 - O Candango que chocou o mundo...
Até 1984 o Brasil tinha 6 medalhas no Atletismo, um número alto - e até então o maior de qualquer esporte no Brasil. Mas só que tinha um problema: todas elas tinha vindo na mesma modalidade, o Salto Triplo. Os dois ouros do primeiro da lista ( Ademar ), uma prata e um bronze com Nelson Prudência ( 1968 no México e  em 1972 Munique respectivamente ) e as duas de bronze de João Carlos de Oliveira, o João do Pulo ( 1976 Montreal e 1980 Moscou ). Até que um brasiliense magro e alto conseguisse o alto do pódio na Terra do Tio Sam. Seu nome? Joaquim Cruz. Seu feito? Medalha de Ouro nos 800m rasos, deixando para trás Sebastian Coe ( prata em 1980 da mesma ) e Steve Hovet ( vencedor da prova em 1980 ). Foi também o primeiro Ouro do Brasil em provas individuais desde Ademar em 1956, em Melbourne ( duas duplas conquistaram Ouro na Vela em Moscou ). 

Ele virou um atleta de elite, ganhando destaque internacional e até hoje é considerado um dos melhores da história da prova. Ainda seria prata quatro anos depois, quando os africanos passariam a dominar a prova. 

5 - Atlanta 1996 - Enfim, as mulheres sobem no ponto mais alto
Hoje em dia não nos surpreende mais uma mulher ser considerada favorita ao Ouro, mas até 1996 isso era um Tabu. Até os Jogos na Terra da Coca-Cola, nenhuma brasileira conseguira destaque. Aliás, nem mesmo medalhar tinham conseguido ainda. Mas quando quebraram o Tabu foi no melhor estilo possível: com Ouro e Prata. Coube a Jacqueline Silva e Sandra Pires conquistarem o Ouro, com Adriana Samuel e Monica Rodrigues. Foi a primeira de até hoje 5 Ouros para as mulheres ( Vólei duas vezes, Maurem Maggi e Sarah Menezes ). Pelo ineditismo elas merecem o quinto posto. 

Menções Honrosas:

Tóquio 1964 - Aida dos Santos - Quem? Pois é, outra desconhecida com feito histórico. Ela foi quarta colocada nos Jogos de Tóquio - melhor resultado de uma mulher desde Maria Lenk em 1936 e que só seria superada 32 anos depois em Atlanta - ficando apenas 1 centímetro do pódio no Salto em Altura. Isso para uma negra, favelada, pobre e que nem técnico tinha. Tá bom ou quer mais?

Los Angeles 1984 - Ricardo Prado - A prata do então campeão mundial perde em importância para os outros citados por muito pouco. Talvez seja mais emblemático do que o feito de Servílio e/ou da dupla Jacque/Sandra, mas toda lista precisa cortar em algum lugar e eu cortei aqui.

Barcelona 1992 - Vólei Masculino - Complicado deixar eles de fora, com tudo o que representou aquela conquista, mas o Esporte era famoso na época, com direito à uma prata em 1984.

Seoul 1988 - Aurélio Miguel - Primeiro ouro do Judô ficar de fora ( eu um ex-praticante do Esporte ) me corta o coração, mas outra vez pesou o não ineditismo, pois o esporte tinha - a época - 4 medalhas em Olimpíadas.

Atlanta 1996 - Basquete Feminino - Feito histórico, sim. Mas era uma medalha esperada, pois o time era apenas o atual campeão mundial. Foi a despedida da Rainha Hortência.

Pequim 2008 - Vólei Feminino - Ouro de mulheres ficando de fora? Conto como esporte, por isso os homens tinham conseguido isso 16 anos antes e mesmo assim não entraram.

Pequim 2008 - Maurren Maggi - Saltadora merecia estar na Lista? Talvez, mas o feito de Jacque e Sandra veio primeiro.

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