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terça-feira, novembro 15

Legado Olímpico? Basquete brasileiro toma punição da FIBA

Rio 1963, Brasil conquistava o Bi-Campeonato Mundial. 
Conquista que as mulheres levariam 31 anos para conseguir...
Como todos sabem e ainda lembram, tivemos uma Olimpíada no Brasil em Agosto, apenas 3 meses atrás. E o baquete brasileiro passou vergonha entre os homens e mulheres. Nada que lembre as fotos que ilustram esse post. Poderia ser considerado o fundo do poço, mas quando é incompetência nosso Dirigentes são, infelizmente, os melhores do mundo.

A FIBA - Federação Internacional de Basquete - puniu o Brasil de todas as competições internacionais. Ou em outras palavras: nenhuma seleção ou clube do país pode atuar em qualquer local fora do território nacional. Algo terrível e tenebroso. Os motivos parecem surreais: má gestão e falta de pagamentos em compromissos com a FIBA, bem como calote no pagamento do valor do Mundial 2014, que foi renegociado depois para permitir que pudêssemos participar dos Jogos Olímpicos. E até agora não foi pago.

Fábio Balassiano, autor do ótimo Blog Bala na Cesta, é enfático: Aqui jaz, CBB; E agora, quais os próximos passos?. Para quem não acompanha o furdúncio de perto, o Basquete Brasileiro vem sofrendo de más gestões desde o começo dos anos 90. Não a toa os homens ficaram de fora 16 anos dos Jogos e às mulheres desapareceram do cenário mundial desde 2006. Falta de tudo, mas o poder da Entidade seguia a mesma, mudando de Grego para Carlos Nunes, que era Secretário Geral do primeiro. Mas as Federações seguem elegendo eles, porque estes não cobram os débitos delas.

Diante disso o mínimo seria que a CBB falasse algo conetado com a realidade. Mas estamos no Brasil e a Nota Oficial divulgada parece piada, de mal gosto é claro. Dizer-se surpreso com o acontecido é demonstrar não querer sequer entender o problema. Agora os Clubes ficarão de fora das competições e nos Sulamericanos nossas equipes nacionais também não colocará suas equipes por falta de recursos.

Infelizmente não é só na Casa Bandida do Futebol que impera a podridão. E por falar nisso:



sexta-feira, agosto 5

Os cincos maiores momentos de brasileiros em jogos olímpicos

O que é um feito histórico? O que é eterno e jamais será esquecido, mesmo num país sem memória? O que brasileiros fizeram que fazem parte da História Global dos Jogos, não apenas de nosso país? Complicado resumir em apenas cinco, mas se fizesse maior, eu iria alargar demais a lista e tive que deixar feitos espetaculares de fora, alguns que nem conquistaram medalhas, como Maria Lenk que em 1936 em Los Angeles foi a primeira - atenção para esta informação - sulamericana a competir. Mas eu privilegiei fatos com medalhas. A ordem dos feitos está do maior para o que eu considero menor dentre os cincos escolhidos. Espero que gostem...

1 - Helsinque 1952 - Ademar Ferreira da Silva, Ouro no Salto Triplo.
Como explicar o quão fantástico foi este feito? Seria o mesmo que atualmente um brasileiro ganhar um prêmio Nobel, o Oscar de melhor ator, o mundial de esgrima... enfim, algo que de tão surreal choca o mundo. Pois foi isso que a foto acima representa para o mundo: um brasileiro saltando 16,22m ( recorde olímpico e mundial ) e derrotando um Soviético favorito e que era considerado imbatível. Mas existem outros feitos nesta foto: primeiro negro campeão olímpico sem ser representando os EUA, primeiro sulamericano campeão olímpico em prova individual e a primeira medalha dourada do Brasil desde 1920 em Antuérpia, quando Guilherme Paraensa conseguiu a primeira no Tiro. 

Da Silva é uma lenda na Finlândia e um quase desconhecido aqui. Aliás, se perguntarem por ele em frente ao Estádio Olímpico a pessoas com mais de 80 anos, tenho certeza que a taxa de que saberá quem ele é será maior do que aqui no Brasil. Em tempo, 4 anos depois ele se tornaria bi-campeão mundial em Melbourne ( a única antes do Brasil a ser disputada no Hemisfério Sul ). Participou ainda em Londres 1948 e em Roma 1960, onde foi ovacionado de pé por TODOS os que estavam no Estádio Olímpica da cidade eterna. Glória para muito poucos na história.


2 - Londres 1948 - Seleção de Basquete conquista um surpreendente Bronze
Todos sabem ( hummm, será se sabem mesmo? ) que o Basquete Masculino foi bi-campeão Mundial em 1959 e em 1963 - no Rio de Janeiro. Pois bem, essa é a fase dourada do esporte, mas porque o feito de 1948 aparece primeiro, se o time Amauri e Wlamir Marques também conseguiu bronze em 1960 ( Roma ) e 1964 ( Tóquio )? Simples: o ineditismo. Quem imaginaria naqueles tempos que fosse possível um time que nunca conseguira grandes feitos - fora vencer o Sulamericano - pudesse subir no pódio? E que por apenas um ponto não beliscou a prata? E que deixou o time dos EUA espantados com a qualidade do time? Acho que não precisa de mais nada, não é mesmo?

3 - Cidade do México 1968 - Bronze histórico, mas com roubo igualmente histórico
Reclamei do desconhecimento de Ademar Ferreira da Silva, mas o que dizer de Servílio de Oliveira? Quem, Flávio? Pois é, o sósia de Wilson Simonal ali na foto... quem? É, estou pegando pesado. Servílio foi, até os irmãos Falcão, o único medalhista do Boxe. E foi, descaradamente, roubado na luta contra o mexicano, que seria o campeão. Olhem a foto e notem que os outros 3 estão todos insatisfeitos. Claro que quem vence fica feliz, mas muitas vezes os outros também demonstram alguma alegria. Não é o caso aqui, pois o segundo colocado também foi roubado na cara dura. Servílio disse que até os EUA quiseram ajudar em um recurso, dado o exagero que fora feito contra ele. Por isso ele ficou com o terceiro posto.

4 - Los Angeles 1984 - O Candango que chocou o mundo...
Até 1984 o Brasil tinha 6 medalhas no Atletismo, um número alto - e até então o maior de qualquer esporte no Brasil. Mas só que tinha um problema: todas elas tinha vindo na mesma modalidade, o Salto Triplo. Os dois ouros do primeiro da lista ( Ademar ), uma prata e um bronze com Nelson Prudência ( 1968 no México e  em 1972 Munique respectivamente ) e as duas de bronze de João Carlos de Oliveira, o João do Pulo ( 1976 Montreal e 1980 Moscou ). Até que um brasiliense magro e alto conseguisse o alto do pódio na Terra do Tio Sam. Seu nome? Joaquim Cruz. Seu feito? Medalha de Ouro nos 800m rasos, deixando para trás Sebastian Coe ( prata em 1980 da mesma ) e Steve Hovet ( vencedor da prova em 1980 ). Foi também o primeiro Ouro do Brasil em provas individuais desde Ademar em 1956, em Melbourne ( duas duplas conquistaram Ouro na Vela em Moscou ). 

Ele virou um atleta de elite, ganhando destaque internacional e até hoje é considerado um dos melhores da história da prova. Ainda seria prata quatro anos depois, quando os africanos passariam a dominar a prova. 

5 - Atlanta 1996 - Enfim, as mulheres sobem no ponto mais alto
Hoje em dia não nos surpreende mais uma mulher ser considerada favorita ao Ouro, mas até 1996 isso era um Tabu. Até os Jogos na Terra da Coca-Cola, nenhuma brasileira conseguira destaque. Aliás, nem mesmo medalhar tinham conseguido ainda. Mas quando quebraram o Tabu foi no melhor estilo possível: com Ouro e Prata. Coube a Jacqueline Silva e Sandra Pires conquistarem o Ouro, com Adriana Samuel e Monica Rodrigues. Foi a primeira de até hoje 5 Ouros para as mulheres ( Vólei duas vezes, Maurem Maggi e Sarah Menezes ). Pelo ineditismo elas merecem o quinto posto. 

Menções Honrosas:

Tóquio 1964 - Aida dos Santos - Quem? Pois é, outra desconhecida com feito histórico. Ela foi quarta colocada nos Jogos de Tóquio - melhor resultado de uma mulher desde Maria Lenk em 1936 e que só seria superada 32 anos depois em Atlanta - ficando apenas 1 centímetro do pódio no Salto em Altura. Isso para uma negra, favelada, pobre e que nem técnico tinha. Tá bom ou quer mais?

Los Angeles 1984 - Ricardo Prado - A prata do então campeão mundial perde em importância para os outros citados por muito pouco. Talvez seja mais emblemático do que o feito de Servílio e/ou da dupla Jacque/Sandra, mas toda lista precisa cortar em algum lugar e eu cortei aqui.

Barcelona 1992 - Vólei Masculino - Complicado deixar eles de fora, com tudo o que representou aquela conquista, mas o Esporte era famoso na época, com direito à uma prata em 1984.

Seoul 1988 - Aurélio Miguel - Primeiro ouro do Judô ficar de fora ( eu um ex-praticante do Esporte ) me corta o coração, mas outra vez pesou o não ineditismo, pois o esporte tinha - a época - 4 medalhas em Olimpíadas.

Atlanta 1996 - Basquete Feminino - Feito histórico, sim. Mas era uma medalha esperada, pois o time era apenas o atual campeão mundial. Foi a despedida da Rainha Hortência.

Pequim 2008 - Vólei Feminino - Ouro de mulheres ficando de fora? Conto como esporte, por isso os homens tinham conseguido isso 16 anos antes e mesmo assim não entraram.

Pequim 2008 - Maurren Maggi - Saltadora merecia estar na Lista? Talvez, mas o feito de Jacque e Sandra veio primeiro.

terça-feira, agosto 2

Brasil nas Olimpíadas: Nos Esportes Coletivos temos chances de medalhas, mas são muitas

Handball campeão mundial pode conquistar o Ouro...
Coletivo ou individual. Essas são as duas divisões do esporte olímpico. Ou tenta-se alcançar o Olimpo sozinho ou com um grupo. E o Brasil tem tudo para conseguir seu melhor resultado da história nos esportes coletivos. Abaixo listo, em ordem de chances, onde podemos sonhar ou apenas torcer por uma participação digna:
  • Handball Feminino - Segundo esporte mais praticado no Brasil nunca tinha conseguido destaque internacional até o fim dos anos 2000, quando um dinamarquês assumiu o comando do time feminino. Seu nome? Morten Soubak. Com ele no comando nossas meninas deram um salto desde 2009: chegaram às quartas dos mundiais de 20011 ( disputado no Brasil ) e 2015, além de terem alcançado a mesma fase nos Jogos de Londres 2012. Mas o grande feito veio em 2013: ganharam o Mundial derrotando diversos times tradicionais, batendo a fortíssima Sérvia. Por tudo isso elas tem sim chances de pódio, podendo ser o ponto mais alto, mas a concorrência é grande e podem, até mesmo, nem chegarem às semifinais;
  • Basquete Masculino - Outra uma potência Mundial ( figuramos na elite entre os Jogos de Londres em 1948 e os de Seoul 1988 ), o Brasil foi perdendo espaço, tendo ficado 16 anos fora dos jogos - 96 Atlanta e 2008 Pequim, só voltando na última edição em Londres. O time comandado pelo Argentino Rubem Magnano é bom, mas chega com desfalques de Thiago Splitter e Anderson Varejão. Dependerá do que fizer na fase de grupos para ter um caminho menos tortuoso até uma improvável final com o Dream Team;
  • Handball Masculino - Os rapazes vivem às costas das meninas, é fato. Mas nem sempre foi assim e eles sabem que precisam mostrar seu valor. Podem, com superação, brigar por um bronze. E isso já seria épico;
  • Basquete Feminino - 20 anos atrás, vivendo o canto do cisne Hortência e quase o de Magic Paula, elas deram show. Só foram batidas pelas donas da casa em Atlanta. Agora os sonhos - e a qualidade - são muito mais modestas. Primeiro porque os resultados recentes são desastrosos. Segundo porque a entressafra é enorme. E terceiro porque a desorganização na CBB é atroz. O time dependerá demais da superação para repetir o que conseguiu em Sidney: um bronze.
  • Polo Aquático - No masculino - com uma Torre de Babel nas águas - as chances são um pouco maiores, mas entre as mulheres, sem chances. Se tudo der certo - e quando digo tudo é TUDO mesmo - der certo, um suado bronze. Mas acho que nem a Federação acredita nisso.

Amanhã posto sobre Atletismo, Remo, Hipismo e Lutas.

quinta-feira, junho 12

Hoje é um dia especial!!!

Rainha Hortência e Magic Paula: eles ganharam o mundo 20 anos atrás...
O mundo dos esportes para a maioria dos brasileiros resume-se ao futebol. Mas para alguns, eu incluso, vemos que existem heróis que jogam outras modalidades. E neste 12 de Junho é uma data especial para o Basquete Feminino Nacional: 20 anos da conquista do mundial de 94, na Austrália.

Paula e Hortência já eram consideradas duas das melhores jogadores do mundo. Mas a seleção brasileira era apenas uma coadjuvante no mundo do basquete. Em 1992 elas jogaram sua primeira olimpíada. A conquista do Pan de Havana em 1991 nem era tão marcante, exceto pela reverência feita por Fidel à dupla. 

Nas quadras australianas o Brasil conseguiu reforçar o grupo com jovens e talentosas jogadoras, como ( maior exemplo foi Leila ), o time foi vencendo rivais após rivais. Bateu as americanas nas semi-finais de forma soberba e épica. Parecia, para alguns, o máximo possível. Mas aquelas duas guerreiras queriam mais, podiam mais. E num jogo memorável, o Brasil bateu a China de Zheng Haixia que parecia tão grande antes e ficou tão pequena depois...

A estas valoras guerreiras, deixo aqui a minha homenagem... e também a Luciano do Valle que nos deixou a tão pouco tempo e que hoje abriria mais uma Copa... e que de forma tão brilhante narrou esta conquista histórica naquela linda manha de 1994: