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domingo, novembro 9

Os 25 anos da queda do Muro de Berlim - Parte II

Portão de Brandemburgo durante a construção do Muro...
E na noite de 09 de Novembro de 1989: símbolo Alemão ficara do lado Oriental
Pedro Bial: para mim, ele nunca será apresentador do BBB, mas sim o cara que presenciou a história ser feita
Começo da construção...
e aqui já bem mais adiantado.
09 de Novembro de 1989. Como eu disse antes aqui, essa data é bem mais do que o aniversário de minha mãe ou uma data qualquer para a maioria das pessoas. É uma data que mudou o mundo. Mas porque a Queda do Muro de Berlim é tão marcante? Comecemos pelo começo, ou seja, pela sua construção.

Quando a Alemanha estava praticamente derrotada, tropas do aliados se aproximavam a passos largos da Capital Berlim. Hitler logo se mataria engolindo capsulas de Cianureto, bem como grande parte de seu Gabinete, sobrando bem poucos membros para contar História. E os que sobraram logo seriam condenados no Julgamento de Nuremberg. Pelo lado leste vinha o Exército Vermelho e do oeste as tropas dos EUA. Ao chegarem em Berlim, a Guerra já terminara na prática, faltava apenas oficializar. 

Acontece que os dois lados vencedores decidiram dividir a Europa em duas: uma sob influência de cada uma das potências. Assim, a Alemanha derrotada foi separada, um lado passou a ser conhecida como Alemanha Oriental e a outra Ocidental. Mas Berlim ficara na parte destinada ao soviéticos, só que a cidade também foi disputada. Solução? Divisão também. O que gerou problemas sérios, uma vez que virara uma ilha capitalista no meio de um "mar" socialista. 

Desde 1949 quando a RDA - Republica Democrática da Alemanha - foi criada, a situação de Berlim Ocidental foi um problema, para ambos os lados. Fortemente armada do dois lados das fronteiras, como impedir que uma faísca resultasse em outra guerra? E, principalmente, como impedir que as pessoas mudassem de lado na fronteira? Acontece que ninguém queria sair do lado Ocidental para o Oriental. Já o contrário... que coisa, ninguém queria.

Sendo assim, em média, mais de 150 mil pessoas atravessavam a fronteira, totalizando mais de 2 milhões até 1961, mais de um quarto da população total do lado oriental. Além de alemães, pessoas de outras nacionalidades usavam a cidade para passar pro lado capitalista como húngaros, thcecos, romenos e tantos outros países do lado socialista. Dai a necessidade de fechar a fronteira. Mas como? A solução encontrada foi construir um muro.

Do dia para a noite, o lado oriental cortou as linhas de transporte público e colocou as tropas nas ruas. E começou a construir o muro. O mundo nunca mais seria o mesmo por muito tempo. Durante quase 30 anos, irmãos ficaram separados, filhos perderam pais sem poder irem a enterro... e um clima pesado ficou no ar. Muitas foram as tentativas de cruzar o muro, quase sempre terminado em morte. Relatos de execuções sumárias passaram a acontecer frequentemente. Dias de horror em Berlim...

Que chegariam ao fim da noite do dia 09 para o dia 10 Novembro de 1989. O regime socialista estava claramente em ruínas. Numa época sem comunicação instantânea, essas informações demoravam para chegar. Mas era sabido que o tempo dos socialistas estava chegando perto do fim.

A Queda do Muro fechou a Guerra Fria, quando o mundo esteve por diversas vezes perto de uma Guerra Nuclear. Segundo os historiadores foi uma guerra fria nos polos ( Moscou Washington ) e quente na periferia ( Vietnã, Coreias, Afeganistão... ).

Hoje é dia de comemorar o fim das Ditaduras Socialistas. Alguns, é claro, irão lamentar. Mas estes, é claro, não gostam de Democracias...

sexta-feira, novembro 7

Os 25 anos da queda do muro de Berlim - Parte I

Resquício da Segunda Guerra, a divisão da Alemanha produziu uma vergonha: dividir uma cidade

Como todos sabem, eu sou Historiador. Mas antes de sê-lo, eu já gostava de História. Fui apresentado aos termos capitalismo e socialismo na sétima série, por intermédio de um socialista convicto: Professor Irlânio. Ele, profissional que sempre foi, explanou sobre os dois modos de produção e suas diferenças. E não me chamou nem um pouco atenção o sistema socialista. Estava ali, em 1987, formada a minha visão de capitalista convicto. 

Com o passar dos tempos, aprendi com o mesmo Irlânio outras coisas sobre o Socialismo. Mas mantive-me capitalista. E um nome se destacava em Moscou naqueles tempos: Mikhail Gorbachev. Que comandava um processo de abertura do Regime Socialista, com duas reformas chamadas de Perestroika ( econômica ) e Glasnot ( Política ). Ambas levariam a URSS - antagonista dos Estados Unidos - para uma Economia de Mercado, ou simplesmente Capitalismo. Tudo ruiria em 1991, quando Bóris Yeltsin tomaria o poder de Gorbachev, pondo um fim melancólico na outrora imponente pátria Soviética. Mas este foi o ponto final, o xeque-mate. Mas o golpe fora dado 2 anos antes, em Berlim...

Era bonito na época falar mal do capitalismo e louvar os méritos do socialismo. Segundo diversos amigos de escola, era o paraíso. Muitos hoje votam no PT não por outro motivo: foram cooptados pelas teses socialistas ( hoje sabemos que as teses são marxistas, mas na época nem sabíamos que existira um Karl Marx ). Falar de socialismo era, para alguns, mais interessante do que falar de futebol. Mas isso tudo - para alguns apenas - mudou em 09 de Novembro de 1989. 

Em uma época bem diferente, eu tinha uma mania pouco comum para os jovens atuais: assistir ao Jornal Nacional. Não era assim porque eu quisesse ( com o tempo até passou a ser ), mas existia algo padrão na casa dos Vieira: O Jornal Nacional era sagrado e nada - e quando digo isso, é nada mesmo - impediria meu pai de assistir as notícias. Meu velho pai é um semianalfabeto, mas sempre teve gosto por notícias. E ai de quem fizesse barulho durante o programa, na época comandado por Cid Moreira e Sérgio Chapelim. Naquela noite Novembro de 1989 eu me vi diante da história. 

Pedro Bial - para muitos só o cara que fala umas asneiras durante 3 meses no começo do ano durante o Big Brother - era a testemunha ocular da história: o Muro de Berlim caíra naquele dia na Alemanha. E para a surpresa minha - e desespero dos socialistas brasileiros - as pessoas saíram ALEGRES e não tristes, como deveria se supor. Afinal as pessoas moravam num paraíso, julgavam muitos... como podiam alegrarem-se por terem perdido o assento no paraíso?

Pois é... tempos depois fiquei sabendo que diversos Marxistas falaram em "fim da história". Faz sentido, afinal para eles era impossível existir história sem o socialismo. E foi um choque total ver que as pessoas não gostavam do socialismo. Muita coisa mudou de lá para cá, mas de um certo modo uma coisa é clara: o Socialismo não é alternativa para o Capitalismo.