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quarta-feira, junho 27

A maldição da campeã persiste: Alemanha termina na lanterna de seu grupo

Ganhou a Copa? Na outra é fiasco!!!
Desde que a Copa passou a contar com 32 seleções, na França 1998, que somente uma vez o campeão de uma Copa passou da primeira fase na seguinte. E este time foi o Brasil em 2006 e mesmo assim com um futebol terrível e tomando um baile histórico de Zidane. E mesmo antes da Copa ter 32, podemos ver um método em outras Copas, como em 82 ( Argentina ), 86 ( Itália ) e 94 ( Alemanha ). Até mesmo o Brasil em 98, quando mesmo chegando à final sofreu com péssimo futebol e levando uma surra da França.

A França em 2002, Itália em 2010 e a Espanha em 2014 tinham efetivado desastres históricos, com a Fúria levando até goleada. Acontece que agora na Rússia a atual campeão parecia fadada a superar este estigma. Parecia, porque não conseguiu. Com 2 derrotas e uma suadíssima vitória contra a Suécia, mas ficou de fora. E não apenas ficou de fora, mas terminar na lanterna no grupo. Perder para uma Coreia do Sul eliminada e muito tecnicamente inferior é desastroso, mas que destaque a garra e determinação coreana, dignas de louvores. Mas não diminui o fiasco germânico.

O que deu errado? Várias coisas, é claro. Uma delas erros na convocação de Joachim Low, deixando alguns atletas de fora, como Sané. Outra foi apostar em medalhões como Ozil, Khedira e Hummels. Ou ainda bancar Neuer como titular enquanto Ter Stegen fez uma temporada quase perfeita. Por fim uma falta de ideias novas, tornado o time previsível demais. Tudo isso junto, deu na pior campanha da história alemã na história das Copas com fase de grupos ( em 1938 o sistema era eliminatório desde o começo ).

O grupo segue forte e tem condições de se re-erguer. Existe pé-de-obra em boa/ótima quantidade. A questão é saber como se dará o próximo ciclo, se será com Low ou não. Em todo caso, é um vexame sem precedentes. E uma curiosidade: a Suécia eliminou Holand, Itália e agora Alemanha. É bom respeitar os nórdicos.

sábado, junho 9

O Brasil em Copas: os fiascos

1966: A campanha do "tri" foi um fiasco total...
1990: todos sabem o que acontecerá na sequência...
1934: apenas uma partida e a pior colocação de todos os tempos em Copas
2014: precisa de explicação??
Como definir o que é um fiasco? Para alguns a campanha na Copa de 2014 não pode entrar nesta lista, porque mesmo assim o time ficou entre os 4 melhores, mas o que pode ser pior do que tomar 7x1 - a maior goleada em fase agudas da história das Copas - em casa? Pois é... Vamos aos maiores fiascos da histórias das Copas protagonizadas pelo Brasil.

1934 - Itália. Apenas um jogo e a pior colocação em Copas.

Antes de mais nada, é preciso pontuar algumas coisas: o Brasil vivia uma rixa entre profissionais ( implantado no Brasil apenas 3 anos antes ) e os Amadores. Assim existiam duas entidades que cuidavam do Futebol, uma amadora e outra profissional. Assim sendo, o time que foi, de navio, até a Itália era bem limitado. Apenas uma grande estrela: o diamante negro Leônidas da Silva. No mais era um time formado por cariocas, sobretudo do Botafogo. Outro famoso, não exatamente pelo talento em campo, esteve na Itália: Waldemar de Brito, que 20 anos depois descobriria um tal de Gasolina. Não sabe quem é? Bom, ele é o Pelé. Só isso.

Em Bolonha o time que chegara 3 dias antes não foi páreo para o time espanhol, com vários grandes jogadores e que tinha o mítico Zamora no Gol. Ele pegou um pênalti cobrado com Waldemar de Brito quando estava 1x0 para a Espanha. Num regulamento dos mais estranhos de todos os tempos, era mata-mata desde o começo. E com o 3x1 aquele time deu adeus e ficou em 14º lugar entre 16 times. Que se coloque que até agora, em 2 Copas o Brasil tinha 3 jogos e 2 derrotas e só vencera a Bolívia... estava longe de ser uma potência. O que começaria a mudar na Copa seguinte... mas isso é outra história.

1966 - Inglaterra. O que seria a Campanha do tri, virou uma desastre desde a preparação.

Na Copa de 1958, João Havelange deixara a preparação do time que foi a Suécia nas mãos de Paulo Machado de Carvalho. Deu certo e foi mantido em 1062 no Chile. Só que para 1966, em pleno início do Regime Militar, Havelange quis mostrar que poderia ser ele o comandante. Trouxe Vicente Feola de volta ao comando do time e acertou uma verdadeira romaria de preparação, que incluía 6 sedes, antes de ir para a Inglaterra onde o Brasil tornaria-se o primeiro tri.

Pois é, nada deu certo. Primeiro porque ele quis agradar todos os times e com isso foram convocados 44 jogadores!!!! Sim, 4 times foram formados, que receberam como nome as cores da bandeira: branco, amarelo, azul e verde. As crises internas e a dúvida sobre quem iria para Copa criaram um clima ruim. Na hora de cortar, poucos tiveram coragem de assumir quem iria. Assim gente como Carlos Alberto Torres foram cortados e jogadores medíocres fora pra Copa. Além disso formou-se um time sem nexo, com os veteranos do bi ( Gilmar, Orlando, Zito, Djalma Santos e Garrincha ) e uma nova fornada de grandes jogadores ( Tostão, Gersón e Jairzinho ), além de perebas como Fidelis, Paraná e cia. Não deu Liga. Apenas uma vitória ( Bulgária ) e duas derrotas por 3x1 ( Hungria e Portugal ).

1990 - Bagunça tática, e na preparação, fazem o Brasil passar vergonha na Itália.

Copa América de 1989, Salvador. Na primeira fase o Brasil sofre demais, vê bandeiras sendo queimadas e 2 empates seguidos em 0x0 com Peru e Colômbia vê em risco até a classificação. Até que um jogo em Recife e 2 gols de Bebeto mudam tudo. O que isso tem a ver com o fiasco na Copa um ano depois? Tudo, porque foi nesta virada de rumo que o então Técnico Sebastião Lazaroni firmou-se no cargo e, assim como aconteceria com os times campeões das Copas das Confederações recentes, fechou o elenco com aqueles que lhe foram "leais". Parece com o Dunga em 2010, certo? 

Lazaroni também fechou o esquema, com líbero na pessoa de Mauro Galvão que só atuava assim na Seleção. As vitórias, ainda em 1989, contra Holanda ( então campeã Europeia ) e Itália ( país sede ) deram uma falsa impressão de tudo estava ótimo. Não estava. A grave contusão de Romário seria bem sentida, bem como a queda de ritmo de Silas. Ainda teve uma foto em que os jogadores cobriram o logo da Pepsi, então patrocinadora, por uma desavença no valor que estava sendo negociado pela conquista da Copa. E isso ainda no Brasil. Perdemos para um combinado da Umbria, região da Itália onde o Brasil ficou sediado, para compor ainda mais o cenário.

Uma primeira fase sem graça, onde Miller fez dupla de ataque com o ótimo Careca. 3 vitórias que pareciam colocar o time no caminho do Tetra. Parecia... Tudo ruiu diante da frágil Argentina, que quase não se classificara em seu grupo. Lembra 1982 né? Bastou um lampejo de Don Diego para que o Brasil fizesse sua pior participação em Copas fora 1934, considerando colocação final, ou 1966 em termos de produção em campo. Dunga seria o símbolo do fiasco e ainda perderia a chance de mostrar dignidade e espírito esportivo 4 anos depois. Mas isso é outra história...

2014 - A mãe de todas as vergonhas. 

Esta frase foi dita por, longos e penosos, 64 anos para se referir à derrota na final da Copa de 1950 para o Uruguai por 2x1. Mas em 2014 aqueles grandes jogadores de 1950 foram libertados, porque perto do 7x1 que tomamos no Mineirão aquela derrota virou uma conquista. Não irei deter-me muito sobre o fiasco, até porque está bem vivo na memória de todos, mesmo que muitos queiram fazer de conta que ele já está superado. Não está e nem nunca será...

O Brasil em Copas

Este gol quase representava um tetra na Espanha em 1982

Esta será a 21ª Copa da História. Só o Brasil esteve em todas. Quem chega mais perto são os alemães ( 19 ) e a Itália ( 18 ). Só isso já nos colocaria acima dos outros, mesmo que não tivéssemos 5 conquistas. Assim sendo farei um apanhado de todas as campanhas, separado-as em 3 posts: os 5 títulos ( 58, 62, 70, 94 e 2002 ) mais a mítica campanha de 82. As boas campanhas, como as de 50, 74 e 78, e os fiascos como em 66, 34, 90 e 2014 ( sim, fiasco ).

Irei começar pelos fiascos, em um post mais tarde. Espero que gostem.

domingo, junho 3

Com a maturidade você percebe que tem mais em Copas do que o Brasil

Um dos grandes momentos das Copas...
Toda criança já foi vítima do vírus do Pachequismo. Aquele pensamento de que em toda Copa o Brasil é favorito e que se não venceu foi por falhas e culpas nossas, nunca pelo mérito dos rivais. Os pachecos ( termo cunhado por um personagem de um propaganda da Gillete para a Copa da Espanha em 1982 ), são pessoas que não enxergam nada em uma Copa do Mundo que não seja o Brasil. E existem, desde 1998, outras 31 times na Copa, cada um com suas qualidades e também defeitos.

Até 1986 eu era um Pacheco nato. Não via nada em outros times, ignorei que a França era a campeã europeia de então. Não acompanhei a mágica de Maradona como deveria. Ao menos me apaixonei com a Bélgica de Pffaf e cia. A partir da Copa da Itália, em 1990, eu vi a Copa com outros olhos, embora a Copa tenha sido a pior de todos os tempos, ainda teve coisas boas: Camarões de Millá e Obam-Byik, a Romênia de Hagi e o bom time da Iugoslávia, com um penca de grandes jogadores. Isso sem falar da Costa Rica, que encantou um bocado. Pena que os times que foram longe era quase todos sem sal.

Veio então a primeira Copa em que comemorei um título ( nasci em 1974 ), num Mundial fraco, mas melhor do que o anterior. O Brasil fez uma campanha fraca, sendo a pior dentro todas as 5 campeãs, onde a falta de talento era evidente. Alguns bons times apareceram, como a Bulgária do Stoitchkov e cia ( do inesquecível zagueiro Trifon Ivanov, que nos deixou em 2016 ), ou da Suécia do goleiro Ravalli ( e que foi o calo do Brasil ), além das grandes atuações da Romênia de Hagi ( metendo 3x2 na Argentina ) ou da boa Holanda de Bergkamp e cia. Foi uma Copa de grandes imagens, algumas delas que jamais esqueceremos. 

Em 1998, ano em que Ronaldo jogou uma cortina de fumaça em cima da final com sua convulsão e a estranha presença na partida contra a França, eu vivenciei um momento lindo:  ver a Croácia destronar com requintes de crueldade a Alemanha envelhecida e com mal futebol. O 3x0 não retratou o massacre que foi a partida, como a seleção dos Balcãs passava por cima dos germânico sem dó nem piedade. Foi mágico e eles quase chegavam a final, não fossem 2 gols surreais marcados pelo lateral Thuram na semifinal. Afora o time da camisa xadrez, teve a ótima Holanda mais uma vez parando no Brasil, depois de eliminar a Argentina com um dos gols mais famosos das Copas, o valente time do Paraguai e sua defesa quase intransponível que somente no tempo extra foi vazada. Mas até hoje eu sei exatamente quanto aqueles 3 gols Croatas me deixaram alegre naquele dia...

Enfim, o meu pachequismo tinha ido embora. Eu passei a curtir as Copas, ver os jogos, analisar e buscar grandes histórias. Que até diminuiriam desde então, porque a Coreia do Sul em 2002 chegou por ser dona da casa e inacreditáveis erros de arbitragem a favor, enquanto que a Turquia não se destacava com bom futebol. Em 2006 não apareceram times fora da ordem e a final foi bem chata, embora pudesse cita Portugal. Que chegou perto, ao eliminar Holanda e Inglaterra, ma eram vice da Euro. Em 2010 a Espanha era pule de 10 para ser campeã e o Uruguai não é exatamente uma surpresa como as citadas. Em 2014 tivemos Colômbia e Costa Rica com suas melhores campanhas, com os cafeteros conseguindo ter o artilheiro e um dos melhores jogadores da Copas. Mas nada que superasse aquela Croácia mítica...  

Para esta Copa, em especial existem alguns times candidatos a surpresa. E eu estarei a espreita deles. Assistir a Copa sem o foco exclusivo no Brasil tem destas vantagens. E é o que recomendo a todos. Fica bem melhor. E se o Brasil vencer, melhor. Se não, o estresse será menor.

segunda-feira, julho 10

No dia dos 3 anos de aniversário do 7x1, mais uma prova da falência do nosso futebol



Sábado. Dia 08 de Julho. São Januário. Vasco x Flamengo. Confusão, morte e cenas lamentáveis. Seria mais um dia "comum" no futebol brasileiro se o dia não fosse 08 de Julho. Não lembra o que de importante aconteceu nesta data? Pense em futebol, Copa e Alemanha... lembrou?

Pois é, todas cenas selvagens vistas em São Januário aconteceram no dia em que completou-se 3 anos do desastre do Mineirão, o maior vexame da história das Copas. De todas as Copas... elas são, portanto, um sintoma de tudo o que não mudou desde 2014. Como disse em outro texto o futebol brasileiro só piora fora de campo, enquanto que os outros só evoluem. Aqui temos Cotas diferenciadas demais entre os times que criarão no longo prazo um fosso que só fará mal ao próprio futebol.

Com relação às cenas lamentáveis do sábado deixo uma informação: quando o Vasco caiu em 2015 pela terceira cena piores foram vistas em Joinville. Duvida que os mesmos estavam nas cenas contra o Flamengo? Acho que não, não é mesmo? A solução passa pelo banimento das organizadas, punição severa para os brigões com obrigação de se apresentar numa Delegacia sempre que seu time for jogar e sem poder ver a partida. Tirando o que ele gostam - brigar - começa-se a resolver o problema. 

Mas isso é querer demais de nossos idiotas, larápios e cegos dirigentes...

domingo, abril 2

Salgueirense viaja a Alemanha para intercâmbio de Doutorado

Jovem salgueirense fará Doutorado na Alemanha...
Poucos jovens no Brasil conseguem superar a barreira do primário ( odeio as novas terminologias ). Menos ainda conseguem concluir o 2º Grau. E uma pequena parte dos que começaram aos 07 anos consegue chegar na Faculdade. Realizar Mestrado então é coisa de alguns poucos apaniguados. Imaginem então quantos podem ter o prazer de conseguir um Doutorado? E realizar intercâmbio na Europa? 

Pois bem bem, uma Salgueirense chegou lá. Embarcou para a Alemanha ontem, onde ficará durante um período de 4 meses fazendo intercâmbio junto a Universidade Livre de Berlin, em parceria com o Jardim Botânico de Berlin, onde desenvolverá suas pesquisas. Seu nome? Priscylla Sobreira. Ela é Doutoranda em Ciências Biológicas na UFPE, Mestre em Fungos também pela UFPE, Especialista em Estética na Faculdade Integrada de Pernambuco. Na mala, muita vontade, esperança de novos aprendizados e várias espécies vegetais de diversas regiões do País. É mais uma jovem Salgueirense que segue levando o nome de nossa terra no meio acadêmico internacional. 

Salgueiro para o mundo. Que mais pessoas possam alcançar este nível educacional. Só teremos a ganhar com isso, é claro.

terça-feira, março 28

CBF segue matando o futebol brasileiro, com o silêncio calhorda dos Clubes

Imagem que jamais esqueceremos porque a CBF só pensa em si própria...
08 de Julho de 2014. Todo brasileiro, goste de futebol ou não, jamais esquecerá este dia. Se por ventura não associar o dia ao evento, sempre que citarem Alemanha à fatídica data ai não terá erro: a maior humilhação da história das Copas. Pior ainda, foi a maior de toda a história do futebol mundial. Nada jamais será pior do que sediar uma Copa e tomar 7x1 ( fora o baile ) numa semifinal. Jamais, nunca, em momento algum isso será superado.

Em um país sério, um resultado assim teria dado início a uma revolução. Dirigentes teriam vergonha na cara e saído dos seus cargos, planos teriam arquitetados e um deles teria sido posto em prática. Mas aqui é o Brasil e a resposta da CBF foi nomear Dunga(!!!) técnico da seleção, depois dele ter jogado fora uma Copa por teimosia e falta de conhecimento mínimo de futebol. Além disso, foi eleito para o cargo de Presidente Marco Polo Del Nero, apenas mais do mesmo. Um presidente que nem mesmo pode sair do país porque será preso pelo FBI!!!

Absurdo? Sim, claro. Mas diante do país onde um ex-presidente envolvido em toda sorte de corrupção é o líder das pesquisas presidenciais... voltemos ao futebol: como eu li no site Trivela o Brasil tem a CBF que merece. E eis que esta semana, veio o que eu chamo de a cereja no bolo: foi aprovado e posto em prática o novo Estatuto da CBF. Alguém desavisado pode achar isso bom, mas não é: ele apenas reforça o poder das inúteis Federações Estaduais e, claro, o da própria CBF. As Federações corriam o risco de perderem espaço com as exigências da Lei do Profut, que obrigava que os times da Série B - e não apenas os da Série A - tivessem direito a voto nas Assembleias da entidade. Como seriam 40 contra 27 Federações, caso quisessem poderiam escantear as Federações e tomarem o poder. Mas estamos no Brasil...

A CBF - Casa Bandida do Futebol segundo Juca Kfouri - com a inacreditável complacência dos Clubes, colocou que as Federações terão peso 3 em seus votos, com os clubes ficando com peso 2 e 1 respectivamente entre Série A e B. É surreal porque, mesmo somados os clubes terão menos votos ( 60 ) do que as Federações ( 81 ). Assim os mesmos se perpetuarão no poder e...


Não sei se o amigo percebeu, mas ano que vem tem Copa do Mundo e seguimos tendo jogos entre Fevereiro e Dezembro e... teremos que parar outra vez o campeonato durante a Copa. como tem sido desde muito tempo. Somos o único país a fazer isso dentre os grandes ( vá lá que a Argentina também, mas eles que se explodam não é mesmo? ). E quem serão os maiores prejudicados em 2018? Os Clubes, é claro. Mas até agora nenhum deles disse NADA. E nem vão dizer, infelizmente. Ah, como se fosse pouco, a CBF manteve a cláusula de barreira que impõe que quem deseje ser candidato consiga o apoio de 8 Federações e 5 Clubes, mesmo tendo mais Clubes do que... Federações!!!

Em suma: NADA mudou no futebol brasileiro depois do 7x1. NADA. E nem temos perspectivas de mudar. Nem mesmo outro - e agora improvável - 7x1 será capaz de fazer com as pessoas que cuidam(???) do nosso futebol saiam da inércia. Marco Polo Del Nero ( que ironicamente tem nome de um viajante muito famoso, além de um louco imperador romano ) não sai é de jeito nenhum mesmo... A CBF se preocupa é se a Seleção dá lucro e mesmo com o vexame segue quem pague para tê-la e vê-la.

quarta-feira, julho 8

Um ano depois do 7x1 e eu só consigo pensar em Zizinho, Barbosa, Ademir...

Barbosa, Augusto, Danilo, Juvenal, Bauer, Ademir, Zizinho, Jair, Chico, Friaça e Bigode. Estes são, desde um ano atrás, responsáveis pelo melhor resultado do Brasil em uma Copa em casa.
Costumo dizer que gosto de futebol desde antes do meu nascimento. Meu pai ( que completará 70 anos em Dezembro ) é uma apaixonado pelo esporte bretão e tudo o que ansiava era por um primogênito que fosse, tal qual ele, santista. E foi o que aconteceu, sou santista convicto e louco por futebol desde antes o dia 21 de março de 1974.

Assim como muitos que nasceram após o dia 16 de Julho de 1950, eu também recebi uma versão pronta e imutável sobre a Copa no Brasil: era o maior fiasco da Seleção e Barbosa era o culpado por aquilo. Cresci com essa máxima e como contestar? Afinal o time perdera a Copa em casa podendo até mesmo empatar. E, convenhamos, o Uruguai que eu conheci é um fregues da Seleção, tendo hoje quase a metade vitórias. Como não acreditar na história que fora passada por meu pai e tios? Nenhum deles tinham visto e nem ouvido a final, mas também receberam a história do fiasco e fracasso. Virara um ditado popular, repassado sem que soubesse o porque. O que importava era ter um culpado dentre os culpados. E este posto coube, injustamente, a Moacir Barbosa. Barbosa era goleiro e negro. Duas coisas que sempre foram vistas com desconfiança por muitos. Goleiro, via de regra, é o cara ruim de bola que para brinca vai pro gol ( vide este escriba ). E não existia melhor vítima para aquela derrota. 

Já disse mais de uma vez que o time do Uruguai era ótimo ( tanto que a mesma base foi até as semi-finais da Copa seguinte, só caindo diante do time de Puskas e cia. Mesmo assim na prorrogação e com um homem a menos!!! ), tanto que em 3 amistosos antes da Copa ( porque não jogamos contra a Argentina, que nao vinha pra Copa? ), o Brasil perdera um ( 3x2 ) e vencera com dificuldades os outros dois ( 2x1 e 3x2 respectivamente ). Obdúlio Varella mesmo disse que aquelas partidas serviram para que o time Charruá ( apelido da Celeste ) conhecesse muito bem o esquema dos brasileiros. Além disso, o time brasileiro fora envolvido num clima de oba-oba ensandecido depois de enfiar 6x1 na Espanha e ouvir um coro de 200 mil pessoas cantarem a marchinha de João de Barro "touradas em Madrid"


Acho que todos os meus leitores podem imaginar o que deve ter sido o coro... pois bem, na sexta tiraram a Seleção da Floresta da Tijuca para São Januário e ai, segundo Barbosa, foi como saírem do céu direto para o inferno. Era ano de eleições gerais ( Presidente, Governador, Senador, Prefeito, Deputados e Vereadores ) e claro, todos queriam tirar uma casquinha. Os jogadores passaram a não descansar e coisa e tal. Só faltou arquibancada para verem os "campeões mundias" tomar café na manha do domingo. Flávio da Costa ( que nome hein? ) se viu tao exasperado que levou o time para o Maracana às 11:00 ( 3 horas e meia antes do previsto ) para ver se conseguia calma para sua preleçao. Reza a lenda que ele colocou homens armados na porta do vestiário e ordenou: "quem passar, pode atirar para matar".

Sobre a partida, todos sabem como foi e eu mesmo já falei sobre o assunto aqui. O que se sabe, de certeza, é que Barbosa foi perseguido por aquela derrota até a morte. Ou melhor, até depois de morto. Até ser inocentado um ano atrás pelos 7x1. Sim, inocentado. Ele mesmo cunhou uma frase que tornou-se célebre: "no Brasil a maior pena possível é de 30 anos. E eu cumpro pena a quase 50 anos ( morreu em 07/04/2000 ) por um erro que nao cometi". Zizinho, o craque maior daquele time repleto de craques, nem sabia como chegou em casa. Danilo Alvim foi quase agredido ao ir jantar com sua esposa. Bauer, único não carioca naquele final, foi recebido como um comum em São Paulo. Friaça, autor do gol brasileiro aos 7 minutos do segundo tempo nem é lembrado como merecido. Ademir - até hoje o sul-americano com mais gols marcado em uma edição de Copa, só atrás de Gerd Muller e Just Fontaine - morreu sem ser reverenciado como grande atacante que foi. Nem no Sport, onde foi ídolo, ele é tao lembrado convém ressaltar.

Por isso neste dia, meus caros, eu só consigo pensar pelo o que passaram todos aqueles 22 homens que levaram o Brasil a conquistar o seu melhor resultado até então. Só consigo imaginar que aquele time deveria estar no rol dos grandes times de nossa história. Eu não consigo pensar em nada do que aconteceu no Mineirão, ali sim um FIASCO sem qualquer precedentes. até porque países sem tradição como EUA, Chile, Suíça e México não foram humilhados nas Copas em que organizaram como fomos ano passado. 

E que descansem em paz todos os que, verdadeiramente, honraram uma nação. Mesmo que esta naçao nao tenha feito o mesmo por eles.

quarta-feira, janeiro 7

Charge do Dia: Que dia é hoje?

A data que vai, digamos assim, assombrar o futebol brasileiro, por muitos anos...
Passados pouco menos de 6 meses depois da tragédia, chegamos a um dia que virou gozação mundo afora: 07/01/2015. Diversos sites do planeta fizeram a brincadeira que seguirá perseguindo as pessoas que gostam e futebol. Mas não a CBF, que para o espanto geral acha que não foi nada demais e até já apregoa que com Dunga tudo está esquecido.

Tanto é que hoje, no seu Twitter a CBF soltou a pérola abaixo, passando ainda mais vergonha:


sexta-feira, novembro 7

Os 25 anos da queda do muro de Berlim - Parte I

Resquício da Segunda Guerra, a divisão da Alemanha produziu uma vergonha: dividir uma cidade

Como todos sabem, eu sou Historiador. Mas antes de sê-lo, eu já gostava de História. Fui apresentado aos termos capitalismo e socialismo na sétima série, por intermédio de um socialista convicto: Professor Irlânio. Ele, profissional que sempre foi, explanou sobre os dois modos de produção e suas diferenças. E não me chamou nem um pouco atenção o sistema socialista. Estava ali, em 1987, formada a minha visão de capitalista convicto. 

Com o passar dos tempos, aprendi com o mesmo Irlânio outras coisas sobre o Socialismo. Mas mantive-me capitalista. E um nome se destacava em Moscou naqueles tempos: Mikhail Gorbachev. Que comandava um processo de abertura do Regime Socialista, com duas reformas chamadas de Perestroika ( econômica ) e Glasnot ( Política ). Ambas levariam a URSS - antagonista dos Estados Unidos - para uma Economia de Mercado, ou simplesmente Capitalismo. Tudo ruiria em 1991, quando Bóris Yeltsin tomaria o poder de Gorbachev, pondo um fim melancólico na outrora imponente pátria Soviética. Mas este foi o ponto final, o xeque-mate. Mas o golpe fora dado 2 anos antes, em Berlim...

Era bonito na época falar mal do capitalismo e louvar os méritos do socialismo. Segundo diversos amigos de escola, era o paraíso. Muitos hoje votam no PT não por outro motivo: foram cooptados pelas teses socialistas ( hoje sabemos que as teses são marxistas, mas na época nem sabíamos que existira um Karl Marx ). Falar de socialismo era, para alguns, mais interessante do que falar de futebol. Mas isso tudo - para alguns apenas - mudou em 09 de Novembro de 1989. 

Em uma época bem diferente, eu tinha uma mania pouco comum para os jovens atuais: assistir ao Jornal Nacional. Não era assim porque eu quisesse ( com o tempo até passou a ser ), mas existia algo padrão na casa dos Vieira: O Jornal Nacional era sagrado e nada - e quando digo isso, é nada mesmo - impediria meu pai de assistir as notícias. Meu velho pai é um semianalfabeto, mas sempre teve gosto por notícias. E ai de quem fizesse barulho durante o programa, na época comandado por Cid Moreira e Sérgio Chapelim. Naquela noite Novembro de 1989 eu me vi diante da história. 

Pedro Bial - para muitos só o cara que fala umas asneiras durante 3 meses no começo do ano durante o Big Brother - era a testemunha ocular da história: o Muro de Berlim caíra naquele dia na Alemanha. E para a surpresa minha - e desespero dos socialistas brasileiros - as pessoas saíram ALEGRES e não tristes, como deveria se supor. Afinal as pessoas moravam num paraíso, julgavam muitos... como podiam alegrarem-se por terem perdido o assento no paraíso?

Pois é... tempos depois fiquei sabendo que diversos Marxistas falaram em "fim da história". Faz sentido, afinal para eles era impossível existir história sem o socialismo. E foi um choque total ver que as pessoas não gostavam do socialismo. Muita coisa mudou de lá para cá, mas de um certo modo uma coisa é clara: o Socialismo não é alternativa para o Capitalismo.

sexta-feira, julho 18

Que gesto do Capitão Phillip Lahm


13 de Julho, Maracanã. Final da Copa do Mundo. Alemanha campeã. Quem levanta a Taça é Philliop Lahm, 30 anos. Capitão do seu clube, o Bayern de Munique, ele também teve a honra de se juntar a Fritz Walter ( 1954 ), Franz Beckenbauer ( 1974 ) e Lothar Matthaus ( 1990 ).

18 de Julho. Em carta, Lahm envia uma emocionada carta para a DFB ( a Federação Alemã ) anunciando sua aposentadoria da Seleção. Ele que disputou as copas de 2006 e 2010 optou por não tentar uma quarta. Os motivos? Apenas um: entender que já cumprira seu objetivo na seleção e ajudar, o quanto antes, o surgimento de outro lateral-direito. Pensou na seleção a longo prazo.

Alguns podem dizer que preferiu sair no auge. Sim, isso é verdade. Mas ele demonstrou que um capitão pode fazer mais do que levantar um Taça. Pode mostrar ombridade e muita grandiosidade. Foi isso que fez Lahm.

Mais um ensinamento para o Brasil, onde os capitães de 94 ( Dunga ) e Cafú ( 2002 ) não largaram o osso e foram, a sua maneira, um entrave para melhorar a seleção. E sim, seu gesto me lembrou o de Hideraldo Luiz Bellini, que em 1962 falou com o técnico para deixar Mauro Ramos de Oliveira ser o titular e capitão do time bi-campeão no Chile.

Coisa para poucos, com certeza. Lahm está entre estes...

segunda-feira, julho 14

Alemanha é Tetra 24 anos depois do Tri. Assim como Brasil e Itália...


1994, Estados Unidos. A seleção brasileira torna-se a primeira tetra campeã em Copas. 
2006, Alemanha. A seleção italiana tornou-se a segunda a conquista uma Copa pela segunda vez.
2014, Brasil. Alemanha iguala o feito das outras duas potências mundiais, e entre no seleto grupo de 4 Copas conquistas.

Todos estes fatos tem algo em comum: 24 anos de diferença do Tri. Brasil ( 1970 ), Itália ( 1982 ), Alemanha ( 1990 ) levaram exatamente 24 anos para conseguirem sua 4º Copa. Coincidência? Uma vez pode ser, mas 3 seleções conseguirem a mesma façanha? Se houver algum padrão, ele já pode é ter caído por terra: o Brasil levou 8 anos para conseguir o penta, o que a Itália passou longe dessa vez.

Mas por outro lado a equipe da Alemanha pode, quem sabe igualar isso no Qatar, daqui a 8 anos, tornando-se o segundo penta da história. Ou fazê-lo mais cedo, conseguindo isso na Rússia. Se assim o fizer, entrará em dois grupos ao mesmo tempo: ser penta ( ao lado do Brasil ) e ser verdadeiramente bi-campeão ( algo que só Itália e Brasil possuem, embora tecnicamente possa dizer que o Uruguai também o seja ). 

A Copa terminou e igualou a marca ( absoluta ) de gols em uma Copa, que pertencia a Copa da França, 1998. A média de gols parecia que ia ficar acima do que terminou, mas foi uma Copa com gols. O que já é algo ótimo comparando com a seca de gols das Copas de 2006 e 2010.

E a Alemanha venceu a Copa sendo um time. Em todos os sentidos...

 

A Copa acabou. Foi, dentro de campo, uma Copa soberba, daquelas de encher os olhos. Muita coisa boa aconteceu, mas de ruim também. A derrota do Brasil por 7x1 só poderá ser esquecida um dia por quem for - infelizmente - acometido do mal de Alzheimer. Trágico, com certeza.

O time alemão era melhor e mereceu vencer, por diversos motivos. E não apenas por causa do rival da final, mas por ter aproveitado a Copa. Sim, aproveitado. Enquanto nossos craques ficavam restritos a Teresópolis, os alemães ficaram em um paraíso tropical e interagiram com a comunidade de Santa Cruz Cabrália, na Vila de Santo André. Cantaram o Hino do Bahia, dançaram com índios pataxós, passearam de barco, andaram na praia e tudo mais... e ainda jogaram bola. Algo que o Brasil não fez em momento algum da Copa.

Ganharam a simpatia de todos. Mesmo tendo feito 7x1 no Brasil... e voltam maiores do que chegaram. Merecido e justo. 

domingo, julho 13

A charge da Final


Sensacional. Precisa de legenda?

Venceu o melhor time. Foi justo...










Todos os lances da jogada da final... Mario Gotze, o mais jovem em campo decidiu. Pergunta pra ele se sentiu pressão? Pois é... mais tarde o post sobre a memorável final da Copa.

Final: Argentina x Alemanha - Teremos uma tri hoje no Maracanã

Matthaus e Maradona. Sabem que time tem um capitão começando com a letra M?
1970. Nona Copa do Mundo. México. Todos os campeões de então estiveram presentes e 3 deles poderiam conquistar um prêmio bem bacana: a posse definitiva da Jules Rimet, o trofeu dado ao campeão da Copa. De posse transitória, ela ficaria em definitivo com o time que a vencesse 3 vezes. Naquela Copa Itália ( 34 e 38 ), Uruguai ( 30 e 50 ) e Brasil ( 58 e 62 ) poderiam conseguir isso. E aquela Copa opôs Brasil x Uruguai nas semifinais e Brasil x Itália na final. Todos sabem quem ficou com a Taça e o que acabou acontecendo com ela em 1983...

2014. Vigésima Copa do Mundo. . Brasil. Se a regra vigente em 1970 tivesse sido mantida, hoje Alemanha ou Argentina ficariam com a posse definitiva da Taça FIFA. Só que a Taça atual nunca será de ninguém. Mas alemães e argentinos estão na busca pela honra de serem os primeiros a vencerem pela terceira a Copa Moderna. O termo é meio sem grana, mas o fato é que teremos uma time tri hoje no Maracanã. Claro que se for o time alemão ele será Tetra, chegando ao posto hoje ocupado só pela Itália e por onde o Brasil já passou. É que os germânicos venceram também em 1954. Já os argentinos venceram as suas apenas na nova era do Troféu.

O time da Alemanha é a prova concreta do que um trabalho de base, duro e sério pode fazer por uma seleção. Em 2002 o time alemão vice-campeão era um arremedo do que um dia fora, faltava qualidade e o time chegou até ali por causa de um único bom jogador de linha ( Ballack ) e um super goleiro ( Kahm ). Mas o futebol já vivia seus piores dias. A DFB ( a CBF alemã ) percebeu que era a hora de se mexer e revolucionou o futebol de lá em apenas 8 anos. Regras claras para formar jogadores, obrigatoriedade de Centro de Treinamento para todos os times das Séries A e B da Bundesliga, criação de centros de formação de jovens jogadores e treinadores e uma mudança de filosofia. Desde 2006, a Alemanha não fica fora de uma Semi-final de nenhuma das competições das quais participou. E agora está na final. Papel que poderia ser do Brasil, não é mesmo?

Do lado argentino da disputa, temos um time que se apoia em um craque sensacional: Messi. É comum vermos as pessoas comparando a situação atual com a de 1986 e o time de Maradona. É um erro grave. O time de 86 não tinha um Higuain, um Aguero e um Di Maria. São ótimos jogadores. E ainda existe Mascherano. O time de 86 tinha Valdano e Burrochaga e um goleiro que nunca fora nada antes da Copa, Pumpido. E nem seria depois. O time atual é melhor, bem melhor. Claro que a dependência é parecida, mas Messi não precisou driblar meio time duas vezes na mesma Copa. Além disso a defesa é melhor, por mais incrível que parecer possa. O time não toma gols desde que a Nigéria fez o segundo gol no final da primeira fase. E a primeira seleção a passar por 3 eliminatórias de Copa sem tomar gol. Um feito e tanto...

Além disso, esta é a primeira final a se repetir 3 vezes. Supera assim Brasil x Itália, com quem estava empatada. Outro dado curioso é que o placar entre América do Sul e Europa está em 10x9 para o velho mundo. Se der Alemanha, além de placar ficar pela primeira vez numa diferença de 2 para qualquer um dos lados, será a primeira vez que um europeu venceria uma Copa na América. 

As duas seleções venceram suas últimas Copas em confrontos entre si, um fato em si bem curioso. Os argentinos venceram em 1986 no México, com Maradona soberbo e levantando a Copa. Em 1990, Lothar Matthaus foi o craque da Copa ( não segundo a FIFA ) e levantou a Taça. Agora em 2014, só um lado tem um capitão com M. E esse é o meu medo...

Time por time, o alemão é melhor. Mas quem vai duvidar de Messi e cia? Eu acho que vai ser 3x2 ( palpite de meu filho ) para a Alemanha. Mas se der a Argentina será perfeitamente normal... ou anormal...

Os 5 maiores fiascos da Seleção em Copas...

Agora que a vergonha foi consumada, é hora de situar esta palhaçada protagonizada por Felipão e seus Blue Caps. Abaixo, e por ordem de tamanho do fiasco, os 5 maiores fiascos do Brasil em Copas ( 1950 não entra na lista, porque aquilo foi um desastre. E uma seleção que chega na final não dá vexame ):

1966 Inglaterra - Eliminação na primeira fase, 1 vitória e 2 derrotas.


Uma grande dúvida entre ela e a de 34 Mas eu optei por esta porque existia talento para vencer a Copa, o que não houve foi organização. Em 34 o time viajou várias semanas de navio e chegou em cima da hora, além de não ter - nem de longe - levado um bom time. Mas vamos deixar de lado o fiasco ocorrido na terra da pizza e vamos focar no de 66.

Você consegue imaginar uma preparação com 47 times? Ou uma convocação de um jogador errado, porque o apelido era o mesmo? Ou ainda um Diretor da CBD ( Confederação Brasileira de Desportos ) mandar convocar mais jogadores do Corinthians? Pois é... mas teve mais: trocaram o preparado Paulo Amaral por um do Judô ( isso mesmo!!! ), o time passou por 5 cidades diferentes em solo brasileiro e foram formados 4 times. É preciso lembrar que esta foi a primeira Copa sob o julgo da Ditadura Militar e era preciso levar a Seleção a quase todos os lugares.

Na hora de fechar a lista, todos esperavam que os escolhidos saíram das duas seleções mais fortes, mas teve mais gente da "seleção" mais fraca do que da considerada mais "forte". Por ai dá para se ter um ideia do que foi aquilo...

O fato é que a Seleção que foi para Inglaterra tinha veteranos em fim de carreira ( Gilmar, Djalma Santos, Bellini, Orlando, Zito e Garrincha ) e jovens sem qualquer experiência ( Gérson, Tostão e Jairzinho ) que seriam campeões no México. Mas o que tinha de pereba... basta dizer que Carlos Alberto, o capitão de 70, foi preterido por um lateral horrível cujo apelido era Touro Sentado ( Fidélis está na foto acima, é o último em pé ). Mas tinha mais: Silva, Paraná, Alcindo... alguns nem eram ruins, mas jamais poderiam ter jogado uma copa...

Num grupo que parecia acessível, o Brasil só venceu a péssima Bulgária. E mesmo assim com dois gols de falta. Foi engolido por Hungria e Portugal por 3x1. E ficou em sua pior colocação em uma Copa com grupos.

1934 Itália - Eliminado na primeira partida.


As Copas de 34 e 38 tiveram o mais terrível regulamento de todas as Copas: era tudo eliminatório. 16 seleções já começavam se matando desde o primeiro dia. O Brasil caiu diante da Espanha de Ricardo Zamora ( o melhor goleiro da história espanhola ) por 3x1. Mas não é esse o problema...

O Brasil vivia os primeiros dias do profissionalismo. E a CBD estava as turras com os paulistas ( que já enfraquecera a Seleção em 1930 ), e tentava - a todo custo - manter o amadorismo marrom, porque pagava salários de forma disfarçada. Dessa forma o Brasil mandou para a longa viagem ( diversas semanas a bordo de um navio ) um time fraco, reforçado com o Diamante Negro, Leônidas da Silva, que era profissional.

O time chegou em terra italianas, dois dias antes da partida. E os jogadores tinham engordado!!! Resultado? Em 30 minutos estava 3x0. Leônidas ainda descontaria e tornaria-se o primeiro a marcar em duas Copas pelo Brasil. Mas foi feio...

1990 Itália - Eliminado nas Oitavas, 3 vitórias e 1 derrota, 4 gols marcados, 2 sofridos.


Craques, cercados de bons jogadores. O que poderia dar errado? Humm... quase tudo. Primeiro veio a escolha do Técnico: Sebastião Lazaroni. Ele era treinador do Vasco, cujo diretor de futebol  - o malfadado - Eurico Miranda era o homem forte da seleção naqueles primeiros dias de Ricardo Teixeira. Depois veio a implantação do esquema tático com líbero, cargo que coube a Mauro Galvão. Vitórias contra Holanda e Itália ainda em 1989, deram a impressão de que o time estava no caminho certo. Nem mesmo uma derrota para a Inglaterra e, pasmém!!!, um combinado de jogadores amadores da região da Umbria ascenderam o sinal de alerta.

Além disso o grupo era claramente rachado, sobretudo pela questão financeira. Antes de viagem, uma foto passaria para a história: os jogadores cobrindo a logomarca da Pepsi, então patrocinadora. Resultado? um time fraco, sem brilho. Nem o fato de ter um dos 3 melhores atacantes do mundo à época, Careca, ajudou. Passando de fase sem qualquer brilho, veio as oitavas. O adversário? A Argentina de Maradona. O que aconteceu? A melhor partida do time na Copa, mas em um lance de gênio, Dom Diego dribla meio time e serve para Cannigia fuzilar Taffarel. 

Essa Seleção ficaria marcada com o fiasco antes do sucesso: meio time estaria na conquista do Tetra, 4 anos depois.

1974 Alemanha - 4º Lugar, 3 vitórias, 2 empates e 2 derrotas.


40 anos. É o que eu tenho de idade. E eu cresci ouvindo meu pai falando que Zagallo foi campeão em 1970 com o time do "povo". Deixando claro para todos, que se o time fosse o dele seria diferente. Muitos não entenderam direito na época, mas em 74 ficou bem claro. O time que iria ganhar o Tetra, era horrível. Duvida? E seu lhe contar que o time empatou em 0x0 nas duas primeiras partidas e que suou para fazer 3x0 no Zaire, sendo que se fizesse apenas 2 seria eliminado na primeira fase?

Classificado sabe-se lá como, o Brasil seguiu péssimo, mas ao menos venceu Alemanha Oriental e Argentina. E, por uma dessas coisas que só acontecem no futebol, a vaga na final estaria a uma vitória contra a Holanda. Era o melhor time, mas vencer a Holanda valeria seguir sonhando com o Tetra. Parece algum time recente?

Sobre a partida disputada em Dortmund, sempre é preciso dizer que Paulo César Cajú e Jairzinho tiveram duas ótimas chances para abrir o placar, que - é verdade - poderia mudar o resultado. Mas Leão fez uma das melhores defesas da história das Copas. O que aconteceu foi que no segundo tempo Cruiff e Neskeens fizeram 2x0. E o Brasil foi para a disputa do terceiro lugar...

E perdeu para a Polônia, 1x0. E Zagallo nunca mais deveria ser técnico do Brasil em Copas... mas ele voltaria.

sábado, julho 12

3º Lugar - Brasil x Holanda: Vale alguma coisa?

Cruiff e cia atropelam o despreparado time de Zagallo, em 1974 na Alemanha
Romário e cia vingam-se 20 anos depois em jogo mítico em Dallas, pela Copa de 1994 nos EUA
Taffarel pega dois penaltys e vira herói ao colocar o time na final em 1998.
Sneijder comemora o gol que eliminou o pífio Brasil de Dunga nas quartas da última Copa
Brasil e Holanda farão a decisão do 3º Lugar da Copa, que claramente não tem clima para nenhuma das duas seleções. A Holanda porque poderia perfeitamente estar na semifinal. Já o Brasil... bom, o Brasil é melhor nem lembrar...

Historicamente, tem um dado interessante: até hoje foram duas semi-finais ( 74 e 98 ) e duas quartas-de-final ( 1994 e 2010 ). E cada time venceu uma e perdeu outra. O que é interessante nisto? E que a Holanda ganhou primeiro a semi-final e perdeu primeiro nas quartas. Que abrirá esta nova sequência? Se a escrita for mantida, dará a Holanda.

A questão importante é outra: alguém liga? Ou assistirá a partida? Ou ainda: faz diferença vencer ou perder?

Autopsia de uma humilhação...

Sete alemães. A imagem não foi escolhido ao acaso...
Amigos no Face ficavam me perguntando porque não fiz um post sobre a humilhação sofrida. Os motivos são os mais diversos, mas eu destaco a vergonha. Sim, vergonha pelo ocorrido. Mas sobretudo, vergonha pela horrorosa coletiva dada na quarta, por 7 ( sempre eles ) membros da Comissão Técnica, onde eles deixaram transparecer que tudo estava certo, que não tinham errado em nada.

Falar sobre o jogo é complexo. O Brasil estava sem seus dois melhores jogadores e foi mal armado para a partida. O correto seria ter colocado William e Paulinho e sacado Fred. Se a bola não chega, pra quê manter um cone na frente? Contudo, falar agora é fácil e pode parecer até oportunista. O que se pode falar é que o time já vinha mal na Copa. E só tinha saído atrás na partida contra a Croácia, que ao contrário da Alemanha não é uma equipe acima da média. Depois de tudo o que passou, o time não estava preparado ( tática e psicologicamente falando ) para correr atrás de um placar. E não havia um Nishimura para salvar o time.

Eu critiquei aqui a convocação e por isso posso falar abertamente disto. Vou além: na sexta-feira antes da final da Copa das Confederações eu disse na Salgueiro FM ( e fui criticado por isso ) que era melhor pro Brasil perder para a Espanha. E dizia bem mais do que uma suposta maldição vigente ( quem chegou na Copa como campeão desta inútil competição, sempre se deu mal ), mas porque um eventual sucesso levaria ao técnico a manter aquele mesmo grupo. Erro fatal cometido por Dunga em 2009 e o próprio Parreira em 2005. Essa competição só serve para isso, deixar transparecer que tudo está ótimo. E não, não estava.

Mas só a má convocação não explica o 7x1. Existiam bons jogadores no elenco que está na Copa. Ai entra o outro passo: a desatualização de nossos treinadores. Felipão não teve um único trabalho decente desde que saiu da Seleção de Portugal: falhou bisonhamente no Chelsea, foi treinar no Uzbequistão, rebaixou o Palmeiras ( mesmo que tenha vencido a Copa do Brasil ). E finda a Copa não tem nenhum time estrangeiro a fim de contratar ele...

Assim já temos duas explicações. Mas tem outras: nosso futebol não é bem comandado e a culpa é da CBF. Que faz um campeonato deficitário, que se sustenta com as Federações estaduais, tão inúteis quanto uma máquina de gelo no polo norte. As Federações poluem o calendário com os ainda mais deficitários campeonatos estaduais e fazem com que os clubes - de quem sugam tudo o que podem - fiquem jogando partidas que nem deveria existir... a a CBF ganha milhões e milhões com isso. Um dado: o Brasil é o único país desde a Inglaterra a sediar uma Copa sem ter um Liga Profissional, sem contar os EUA em 1994. Mas os Estados Unidos tem uma Liga. E forte. Enquanto isso o Brasil segue jogando um campeonato organizado(??) pela CBF. Isso é uma piada. Mas pode ser pior: antes parecia que tínhamos uma seleção forte e um campeonato fraco. Agora temos a certeza de que as duas são coisas são péssimas...

E por fim tem a questão técnica. O time alemão é melhor, mas não pouco melhor, muito melhor. Um time mal treinado, mal escalado e sem um controle psicológico não poderia passar para a final. O 7x1 é exagerado? Talvez sim, talvez não, mas uma coisa é certa: tudo está interligado. Um técnico decente - e Felipão hoje não é - teria trocado um jogador após o segundo gol. Evitaria, ao menos, os sete gols. 

Além disso agora temos uma questão fundamental: o que vai mudar com este massacre? Querem saber a minha resposta? Nada, porque as pessoas que comandam o futebol precisam que ele seja assim, desorganizado, para que se mantenham no poder. Sendo assim, porque eles fariam algo para mudar?