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sexta-feira, outubro 14

Porque o FlaxFlu desta quinta é uma vergonha sem precedentes

Cena de um clássico que passará para a infâmia
Nelson Rodrigues dizia, com sua espetacular sabedoria, que o FlaxFlu fora criado 10 minutos depois do nada. Faz sentido. É um clássico com grandeza comparável aos maiores do planeta, como Barcelona x Real, Inter x Milan, United x Liverpool, Celtic x Rangers dentre tantos outros espalhados pelo mundo afora. Tudo nele é grandioso, quando pode decidir campeonato então...

O tricolor vinha se recuperando, buscando vaga na Libertadores. O rubronegro tenta a todo custo conquistar o Hexa ( sim, Hexa mesmo, porque é Penta atualmente ), brigando ponto a ponto com o Palmeiras. Ontem em Volta Redonda, os dois rivais mediram forças em uma partida que, tirante um lance, estava digno da história da peleja. Tudo ia bem até que, perto do fim da partida, Henrique cabeceou para o fundo das redes ( com uma certa ajuda do goleiro Muralha ) e assistente marcou impedimento. E ai começou a confusão que vai dar muito pano para manga caso o Urubu venha a ser campeão por poucos pontos.

Primeiro é preciso dizer que o Assistente Emerson Augusto de Carvalho, acertou. Henrique, que fez o gol, e Gum estavam a frente de Jorge que era o último homem do Flamengo no lance. Pouca coisa, mas estavam. Alguns podem aventar que a regra diz que na dúvida pró-ataque. E é verdade, existe realmente esta recomendação, mas acontece que Emerson não teve dúvidas. E estava certo. O problema foi do árbitro FIFA Sandro Meira Ricci - sim, ele mesmo que apitou na Copa - assumir para si a responsabilidade do lance, que ele nem estava com visão ideal. 

Aqui é preciso mencionar que o árbitro possui essa prerrogativa, de não ser obrigado a acompanhar a marcação dos seus assistentes. Portanto, nada errado existe na atitude de Meira Ricci. Mas é aqui que começam os problemas: ele não terminou a confusão rapidamente e deu margem ao maior problema da noite: pessoas ligadas ao Flamengo, viram pela TV e ligaram para quem estava no banco de reservas e avisou que tinha sido impedimento. E, lógico, todos foram para cima do assistente e de Ricci.

Ai vem a pergunta de milhão de dólares: o que fazer? A FIFA determina - e não é uma recomendação - que NADA externo ao campo altere a decisão do árbitro, exceto a opinião de seus auxiliares. Ora, se Ricci ignorara a marcação de Emerson Carvalho, o que poderia fazer ele mudar - outra vez - de opinião e anular o gol de Henrique? Só a Televisão, é claro. Pressionado pelos jogadores e dirigentes, parece claro que Ricci recebeu ( ou pediu ) do Delegado ou do 4º Árbitro uma confirmação do que diziam os flamenguistas, para não ser mais criticado ainda.

E é aqui que ele perde-se ainda mais, até porque o jogo ficou parado quase 12 minutos, com ele envolto numa proteção de seguranças e policias enquanto conversava com seus assistentes. Mas o que ele - e o do outro lado então nem vira nada - poderia ouvir de diferente do que já ouvira e decidira ignorar? Nada, é claro. Ele ficou perdido e sem saber o que fazer. Logo ele, um árbitro de Copa do Mundo... ficou feio, muito feio para ele. Para Emerson Carvalho nada pesará porque ele acertou desde o começo. Mas para Ricci... deverá colher uma bela punição, ficando fora de escalas, não apenas nacionais. Um verdadeiro papelão. E Ricci não explicou nada na Súmula e nem o que o fez mudar pela segunda vez de opinião. Papelão dobrado.

E o campeonato? Bom, se o Flamengo vencer o campeonato por menos de 2 ( o que lucrou com a anulação ), será muito questionado e lamentado por quem ficar com o Vice. Até porque que outros times terão erros consertados dessa maneira? Um erro a favor do Flamengo será corrigido? Claro que não.

Por isso este escriba defende o fim da lei do impedimento. Só serve para atrapalhar. Mas é claro, isso jamais vai acontecer.

terça-feira, janeiro 26

CBF cede a pressão da Federação Carioca e tentar barrar Primeira Liga. Hora dos Clubes reagirem?

A primeira rodada vai acontecer, mas e depois?
Eu sou um duro crítico da estrutura arcaica do futebol brasileiro, repetindo o sistema de Governo, onde existe um poder central ( CBF ), 27 outras fontes de poder ( Federações ) e por fim diversas cidades ( Ligas das Cidades ). Se no caso de tocar uma nação faz sentido - embora não funcione - no futebol isso só atrapalha. Trocando em miúdos: as Federações tem que acabar. E passou do tempo delas deixarem de existir...

Desde meados do ano passado que 15 Clubes ( quase todos atualmente na Série A do Campeonato Brasileiro ) de cinco estados ( RS, SC, PR, RJ e MG ) uniram-se para criar uma nova competição. Inicialmente seria apenas a ressuscitação da Copa Sul-Minas, que existiu até 2002, como forma de movimentar times de Minas Gerais e dos 3 Estados da Região Sul, assim como os de São Paulo e do Rio Janeiro, que jogavam o também extinto Rio-São Paulo. Mas tinha um fato novo: a briga da dupla Fla-Flu com a Federação do Estado do Rio de Janeiro e seu presidente, Rubens Lopes. Estava, assim, dado o estopim para algo maior.

Presidentes de Clubes são mais desunidos do que irmãos de família rica quando tem que dividir uma grande herança, jamais se entendem e nunca remam para o mesmo lado. E, via de regra, por medo ou por pura falta de caráter ( o mais comum ) são submissos aos Presidentes das Federações, inúteis e caras. Quer uma prova? A FERJ recebe 10% de todas as rendas do Campeonato, mas do valor bruto, não do líquido. Tanto que no ano passado a Federação ganhou mais com o campeonato do que quase todos os times. Sem falar que estes mesmos Clubes tinha elegido - por unanimidade - Marco Polo Del Nero, que era Presidente da Federação de São Paulo, para substituir José Maria Marin. O mesmo Del Nero que, mesmo se chamando Marco Polo, não viaja.

No fim do ano passado os clubes tiveram como mudar o rumo das coisas, elegendo alguém ligado aos seus interesses ( quais? ) como Vice-Presidente da CBF na vaga deixada por José Maria Marin. Mas o que os Clubes fizeram? Elegeram um homem do sistema, o Coronel Nunes que era Presidente da Federação do Pará, como eu tratei aqui, em troca de uma carta de intenções. As mesmas que foram pleiteadas diversas vezes no passado e todas negadas. Em suma: resolveram manter toda a estrutura que tanto os prejudica. Porque fizeram isso? Simples: porque a estrutura prejudica os clubes, não os dirigentes, é claro.

Pois bem, a FERJ está ameaçando Flamengo e Fluminense com desfiliação caso os dois disputem a competiçao e ainda quer que os representantes do Estado sejam escolhidos via Campeonato Estadual, como é na Copa do Nordeste, mesmo Rubens Lopes fazendo de tudo para inviabilizar o campeonato

Agora a CBF - Casa Bandida do Futebol segundo Juca Kfouri - sai em defesa dos seus ( as Federações ), com uma nota que impede a realização de amistosos pós o dia 31 de Janeiro, permitindo assim apenas a realização da rodada inicial da competiçao, que para evitar punições a dupla Fla-Flu passar a se vender como um torneio amistoso.

É a hora dos 15 times que compõem a Primeira Liga enfrentarem o poder Central e Estadual do Futebol. Peitar os "Donatários" das Federações Estaduais e começarem uma nova realidade. Terão eles essa vontade? Complicado dizer... mas que trariam nítidas vantagens para o Futebol isso é óbvio. E é justamente por isso que eu não aposto sequer 2 reais que eles farão algo. Até porque a Liga mais rentável do mundo ( a inglesa ) foi criada em 92, cinco anos depois da Copa União. 

quinta-feira, dezembro 10

20 anos atrás eu sentia a maior emoção da minha vida no futebol


Ser Santista hoje em dia é fácil, é mole... mas em 1995 era uma dureza incrível. O Santos estava a 11 sem ganhar títulos, tivera malas aprendidas durante uma excursão no Chile por falta de pagamentos em 89 e quase fora rebaixado neste mesmo ano, sofria goleadas implacáveis dos rivais ( em 93 tomou 6x1 do Sao Paulo e 5x1 do Palmeiras no mesmo campeonato ). Nem em finais o time conseguia chegar para se ter uma ideia. 

Eram tempos de heróis esporádicos, como Socrátes em 88/89, Paulinho McLaren, Guga, Almir, César Sampaio... a maioria nem sempre no mesmo time. Até que em 1995 o improvável aconteceu: um time que fora patético no Estadual ( outra goleada em hora decisiva, desta vez para o Corinthians ) do nada resolveu jogar. Capitaneado por Galo, defendido por Narciso e comandado pelo Messias... sim, pelo Messias Giovanni Silva Oliveira. Um paraense que viera da Tuna Lusa em 1994 e parecia mais um a tentar a sorte no Santos... parecia, mas não era. Era um cracaço de bola.

Alguns refugos de outros times se juntaram naquela equipe: Macedo e Jamelli vieram do Sao Paulo, recentemente bi-campeão mundial, Vagner e Robert que já tinham diversos clubes na lista. Outro atletas eram da base como Ronaldo Marconatto, Carlinhos e Marcelo Passos. O Técnico era um tal de Cabralzinho, que já passara - sem deixar qualquer saudade - pela Vila Belmiro.

Após um primeiro turno sem empolgar ( apesar de algumas boas partidas ) o time foi para o tudo ou nada no segundo turno. Saiu vencendo a todos: goleou o Corinthians na Vila encharcada ( 3x0 ) e passou pelo Palmeiras no Pacaembu ( 1x0, gol de Vágner faltando 5 minutos pro fim e sem esta vitória o time nem teria ido para semifinal ). Ai era só bater no já eliminado e correr para o abraço. Mas mesmo sendo sensação aquele momento o jogo foi tenso.  E eu nem vi o jogo, pois estava indo para Fortaleza. Só soube da classificação ao chegar na capital dos cearenses. Alívio e esperança, claro. 

Na quarta aconteceu a partida de ida, no Maracanã. E eu mais uma vez não iria assistir. Achei um bom presságio, mas não foi bem assim. Soube em uma das paradas que estava 1x0 para o Santos e imaginei chegar classificado em Salgueiro, mas... foi 4x1 para o time de Renato Gaúcho, apos uma jogador ser expulso tudo praticamente ruíra. Como reverter um placar assim? Eu não sei de onde vinha minha fé, mas eu dizia a todos: "vamos virar". Achavam que era apenas da boca para fora, mas eu acreditei. Muito antes do Atlético-MG e sua saga na Libertadores de 2013. Eu me lembro da cada momento naquele domingo 10 de Dezembro, coloquei minha casa 10, claro, comprada em Fortaleza e fiquei - como sempre - assistindo pela Band ( torcedor de time SP deveria apanhar de cinta de preferir a Globo ).

O resto é história. Os gols do primeiro tempo, as bolas na trave, os quase gols do Fluminense, time ficando o intervalo no campo... tudo está nítido na minha cabeça até hoje. O gol de Macedo parecia libertador... mas o Fluminense era um time forte e lutou muito, conseguindo logo em seguida o 3x1 que lhe servia. Aos 16 o Messias - que já fazia partida magnifica - rouba bola de Ronald, divide com o goleiro Whellerson e a bola sobra para Camanducaia fazer 4x1 e seguirmos para a final, mas... o zagueiro Ronaldo faz uma falta idiota no meio de campo e é expulso. O Flu aperta, pressiona e o segundo gol parece certo. Mas o Santos tem o seu Messias...

Eram 39 minutos. Com um a menos, ele tenta segurar a bola no meio do campo, num lance aparentemente sem qualquer pretensão. Mas estamos falando de G10, estamos falando de um gênio. Ele, do nada, arruma um passe de calcanhar para Marcelo Passos que como uma flecha chega perto da área e com uma curva linda marca um golaço. Eu mesmo admito que quebrei uma mesa da sala de nossa casa com uma das inúmeras cambalhotas que eu dei... parecia tudo resolvido ( pela terceira vez na partida ), mas... o Fluminense no minuto seguinte chega ao segundo gol e mais servia para eles conseguirem a classificação. Mas...

Era dia do Santos. O dia em que eu vi Pelé em campo. Sim amigos, Giovanni naquele atuou como Pelé. O Rei mesmo diria isso depois. Claro que nos roubaram aquele título na sequencia, na pior e mais mal intencionada arbitragem que eu vi na vida. Mas isso é outra história.

20 anos e eu ainda me arrepio de ver os lances. 20 anos e eu ainda sinto a mesma alegria daquele dia. Ir trabalhar na segunda foi uma alegria como nunca em vivenciara antes. Meu time estava na final e era o assunto do Brasil. 

20 anos e eu ainda digo: Giovanni é o meu Messias. 20 anos e nada superou este dia, nem o Brasileirão de 2002 ( e olha que aquele foi foi insano também ) ou a Libertadores de 2011. 20 anos e eu ainda vejo aquele jogo na minha frente.