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quarta-feira, outubro 28

82 anos de Mané

O jogo que o tornou uma lenda mundial...
É simplesmente impossível falar do Brasil Gigante no futebol sem falar no dia 15 de Junho de 1958. Neste dia o Brasil conseguia classificar-se para a segunda fase da 6ª Copa do Mundo, disputada pela primeira - e até agora única vez - em um país nórdico: a Suécia. Até ali o Brasil vencera a Áustria na estreia e depois empatara com o ingleses. Precisava vencer para não depender de outros resultados.  Do outro lado, a URSS, um time cheio de mitos e muitas teorias, afinal era o debute da Seleção Soviética em Copas e pouco, ou quase nada, sabia-se sobre o rival. Quer dizer, o Brasil até sabia alguma coisa, pois as duas seleções ficaram na mesma cidade e a concentração canarinha ficava em um plano elevado da sede soviética. E ver os "russos" treinarem 2 vezes por dia causou espanto. Mal sabiam os russos que o Brasil tinha uma arma que ciência alguma poderia domar: Manuel dos Santos. 

Quem é? Bom, talvez você conheça-o como Mané ou ainda mais como Garrincha. Acreditem ou não, ele era reserva daquele time. Acreditem ou não até o titular ( o flamenguista Joel ) achava que Mané deveria ser o titular. E numa reunião comandada por Didi e Nilton Santos ( ambos amigos e companheiros de Garrincha no Botafogo ) com a comissão técnica selou a escalação do anjo das pernas tortas contra os russos. Também entraram no time o atacante Vavá e o volante Zito. O resto é história: russos e mais russos estatelados no chão, driblados impiedosamente por Garrincha, que mandou até bola na trade. Atônitos os soviéticos não sabem o que fazer e aos 3 minutos Vavá abre o placar.

Garrincha virou mito. No dia seguinte as duas delegações preparam uma despedida, na Sede Soviética. Os 22 jogadores foram perfilados em duas linhas, ficando um jogado de frente para outro da outra nação. O protocolo previa um aperto de mão, mas na frente de Garrincha ficou o lateral esquerdo Kuznetzov, que sofrera o maior baile da história das Copas. Na hora em que caminharam para o aperto, o soviético agarrou-se a cintura de Garrincha e gritava sem parar. Foi uma alvoroço pois se hoje são raros os brasileiros que falam russo, imaginem 57 anos atrás. Até que um tradutor finalmente acalmou a todos: "ele só está dizendo que agora o agarrou, como prometera aos companheiros dele".

Garrincha completaria 82 anos hoje. Só que ele morreu temos tristes 32 anos. Mas não morre aqueles que jamais serão esquecidos. E Garrincha jamais será esquecido enquanto alguém lembrar-se dele. Viva Mané, a Alegria do Povo...

domingo, junho 28

57 anos do dia em que o Brasil chegou ao topo do mundo do Futebol

Feola, Djalma Santos, Zito, Bellini, Nilton Santos, Orlando e Gilmar; Garrincha, Didi, Pelé, Vavá e Zagallo
O Brasil vivia um período diferente em sua história, com um processo de industrialização em detrimento da agricultura que seguiria perdendo espaço até os dias atuais. A Bossa Nova começava a dar seus primeiros passos e até uma nova Capital estava sendo construída, do nada e no meio do nada, pelo Presidente JK. Mas em termos de futebol... bom, ainda ecoava o silencia ensurdecedor do Maracanã na final de 1950. A tal ponto que chegou-se a especular que o Brasil perdia sempre por causa dos jogadores de "cor". Sim, por causa dos negros.

O time brasileiro saíra totalmente desacreditado. As críticas eras as maiores possíveis começando pelo técnico, Vicente Feola que era considerado incapaz de levar aquele time, acreditem, ruim ao topo. Além disso causava estranheza o fato de, pela primeira vez, termos uma comissão técnica, com direito até a um psicólogo, pois isso jamais fora feito sequer em grupos, onde imperavam a figura do "ditador" do Técnico, vide Flávio da Costa em 1950. Além disso a imprensa criticava algumas convocações ( especialmente as de Pelé, Zito e Pepe, todos do Santos então força emergente no futebol brasileiro ) e todos queriam Zizinho na Copa. 

Eu nao irei recontar o que todos sabem: o time se achou nos amistosos, mas sofreu um empate com a Inglaterra onde Mazzola ( atual Altafini ) perdeu gols incríveis por causa da pressão que vinha sofrendo após receber 5 propostas de transferências para a Europa ( algo raro na época, tanto que os 22 jogadores atuavam em Clubes do Brasil ). Foi quando Nilton Santos e Didi, ambos do Botafogo, peitaram a comissão técnica a escalar Pelé, Garrincha e Zito. Ou lembrar que Vavá quebrou a perna do zagueiro Piantonni, o que facilitou o Brasil vencer o ótimo francês. Nem dizer que foi contra País de Gales que um menino se fez Rei, mesmo que só tenham sido os franceses quem lhe desses tal apelido. Prefiro contar outras duas histórias, também um pouco conhecidas, mas que eu adoro mais do que estas...

A primeira é sobre o pós-jogo Brasil x URSS. Os russos pela primeira iam jogar uma Copa e por trás disso existia toda uma mística, pois pouco ( ou nada ) se sabia do time soviético. Brasil e URSS ficaram na mesma cidade, Hindas, e a concentração brasileira ficava num plano mais alto do que a do rival. E de lá, era possível ver que eles treinavam muito mais que os brasileiros. Criou-se um clima de medo por uma eliminação, que de fato ocorreria caso o time canarinho perdesse a partida. Todos sabem o que aconteceu na partida ( Garrincha derrubando marcador após marcador, naqueles que são considerados os 2 minutos mais espetaculares da história das Copas ) e ao se despedirem da cidade, as delegações acertaram um encontro entre os times. Perfilados, os times iam se cumprimentar, jogador a jogador na sua frente. Eis que, por ironia do destino, na frente de Garrincha ficou o lateral esquerdo Kusnetzov que fora humilhado no dia anterior. Ao se aproximar de Garrincha, o russo se agarra a cintura de Mané e grita feito louco em russo. Panico geral, até que alguém traduz as palavras, que não poderiam ser mais hilárias: "eu disse que segurava ele, eu disse que segurava ele"... e todos caíram na gargalhada...

O segundo fato aconteceu na véspera da final. Brasil e Suécia, todos sabem hoje, tem uniformes idêntico: camisas amarelas, calções azuis e meias brancas. Obviamente alguém teria que mudar, é óbvio, mas naquela época isso não era automático. Como ninguém aceitou ceder, fez-se um sorteio. E o Brasil perdeu. Num time cheio de jogadores supersticiosos isso poderia aparentar um mau agouro, algo como: "lutamos tanto e agora vamos ter que trocar a camisa que nos deu sorte até agora?". Ai Paulo Machado de Carvalho, Chefe da Delegação, virou o "Marechal da Vitória": nós iremos atuar de azul, que é a cor do manto de Nossa Senhora Aparecida, a padroeira do Brasil. Afinal o time era, mais do que supersticioso, extremamente católico. Foi a senha para uma das maiores atuações de um time em final de Copas...

O resto, é história. Garrincha criou o vídeo tape antes dos japoneses, ao repetir a mesma jogada nos dois primeiros gols, não sem antes Didi fazer o que os grandes generais fazem às suas tropas, ao caminhar despreocupadamente até o meio-campo após os suecos abrirem o placar. Ou os 2 gols de Pelé ( um dos pouco a possuir tal marca, ao lado de Vavá ) ou que os suecos tentaram de todas as formas secar o campo após a chuva torrencial, mesmo sabendo que isso favoreceria mais o rival do que ao time da casa. Por fim, lembrar que por mero acaso Bellini criou o gesto hoje obrigatório de levantar a taça sobre a cabeça, quando jornalistas brasileiros queriam ver a Jules Rimet e ele, para atender, ergueu-a.

O resto, como eu disse, todos sabem... em 28 de Junho de 1958 o Brasil virava grande. Algo tao distante quanto a volta do bom futebol da Seleção atual...

domingo, junho 1

Craques do passado: Mané Garrincha


Difícil definir um gênio. Sempre corre-se o risco de exagerar ou de não ser preciso. Em se tratando de Manoel dos Santos, tudo parece sempre pouco. Ídolo maior do Botafogo, foi fundamental para que o Brasil ganhasse duas copas. É célebre a frase de Pelé: "a copa de 58 nós ajudamos ele a ganhar; a de 62 ele ganhou só". Sua estreia em Copas é até hoje considerada os 2 minutos mais impressionantes da competição, ele simplesmente destroçou 


Garrincha era a expressão máxima da inocência. Quando o Brasil bateu a Suécia e ele foi informado que o time tinha sido campeão ele saiu-se com essa: "que campeonato mixuruca, não tem nem segundo turno". Ou quando a Seleção passou por Florença antes da Copa, ele que ficara de comprar gravatas importadas para o pai, ficou extremamente chateado ao descobrir que a loja só vendia gravatas "nacionais". E ele disse: "sendo assim, eu compro no Brasil mesmo, e são até mais baratas".

Garrincha era uma pessoa simples, mas um gênio em campo. Para alguns até melhor que Pelé. O fato é que com os dois em campo o Brasil jamais perdeu em mais de 50 partidas. E eles estiveram juntos pela última vez diante da Bulgária pela Copa da Inglaterra. Mané até hoje é o artilheiro máximo do Botafogo.

poucos meses antes de morrer ele tirou esta foto...
Fora de campo o álcool sempre foi um companheiro. Mas quando ele se aposentou, virou um vício incontrolável. Garrincha também foi por demais enganado pelos Dirigentes, tendo assinados diversos contratos em branco, aproveitando-se de sua imensa ingenuidade. Garrincha contraiu Cirrose Hepática. E morreu, pobre, no dia 20 de janeiro de 1983 aos 49 anos. Quase esquecido.

Pouco, perto do fizera e fora dentro dos campos. E ele foi um dos grandes, talvez um dos maiores dentre eles.