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quinta-feira, setembro 3

Se com Joaquim Levy está ruim pior será se ele sair...

Ministro, acreditem, é que tem evitado que a crise seja ainda pior...
Apaguem tudo o que Dilma disse até ser re-eleita. Ali o Brasil vivia o auge da maquiagem dos dados oficiais e do aumento estratosférico da Dívida Interna ( voltarei ao tema ainda essa semana ). Guido Mantega ferrou as bases da Economia para que a Presidente pudesse conquistar mais 4 anos de mandato. Alguns podem então se perguntar, com razão: como ele foi demitido se fez tao bem o seu trabalho como dizia Dilma? Simples: manter ele no poder não daria sustentação que a Economia precisa.

Por isso Dilma demitiu Guido Mantega, mas o manteve no cargo. Essa já era a senha de que tudo estava errado. Eu digo isso a tempos ( desde 2009 para ser mais preciso ), mas os "inteligentes" fecham os olhos para isso. Natural, eles precisam defender o Governo por serem defensores convictos de todos os erros. Dilma tentou Luiz Carlos Trabuco, Presidente do Bradesco. Detalhe: Dilma e o PT malharam demais Marina Silva e sua proximidade com Neca Setubal, herdeira do Itaú, fazendo acusações calhordas de que esta mandaria na área econômica e que seria uma eminencia parda em um eventual Governo da ex-seringueira. Bravatas, é claro, mas deu certo e Marina murchou e nem foi ao segundo após aparecer em todas as pesquisas na frente de Dilma. 

Joaquim Levy, o escolhido, foi feita mais para mostrar que algo poderia mudar do que para realizar mudanças. Primeiro porque todos, até mesmo os mais convictos petistas, sabem que a solução é cortar despesas e evitar aumento de impostos, porque isso criaria mais recessão e baixa do rendimento das famílias. Mas, para cortar, é preciso mexer nos Programas Sociais ( leia-se programas que deram a Dilma a re-eleição ). E o PT quer fizer eternamente no poder, por isso nada de cortar estes programas. Ou de cortar pela metade os cargos de livre nomeação dentro do Governo Federal. Ou de reformar a previdência, uma forma eficaz de reduzir gastos, só que a CUT e outros esbirros do PT jamais aceitarão.

Levy passou a todos a certeza de que ele faria o que era preciso ser feito. Mas o PT e Dilma tratam, todos os dias de limar suas propostas. Ele foi contra mandar o Orçamento com rombo de 30,5 bilhões, um acinte ao bom senso e as leis de Responsabilidade Fiscal. Levy também perdeu a queda de braço para termos um Superativ Primário maior. Enfim ele segue sendo dinamitado por todos no Governo. A Presidente, ciente das pressoes do PT, sempre fica ao lado de Nelson Barbosa. 

E assim o Estelionato Eleitoral só aumenta. E a credibilidade do Governo despenca na mesma proporção. E Joaquim Levy dá sinais de cansaço e, segundo noticia-se hoje, pensa em deixar o cargo. Se isso de fato acontecer será terrível, porque o mercado só está mais "bonzinho" com o Governo por causa dele. É tipo aquela velha frase: "ruim com ele, pior sem ele".

O Brasil só tem a perder se ficarmos sem Joaquim Levy. O tempo dirá quanto será o custo...

quarta-feira, julho 8

Um ano depois do 7x1 e eu só consigo pensar em Zizinho, Barbosa, Ademir...

Barbosa, Augusto, Danilo, Juvenal, Bauer, Ademir, Zizinho, Jair, Chico, Friaça e Bigode. Estes são, desde um ano atrás, responsáveis pelo melhor resultado do Brasil em uma Copa em casa.
Costumo dizer que gosto de futebol desde antes do meu nascimento. Meu pai ( que completará 70 anos em Dezembro ) é uma apaixonado pelo esporte bretão e tudo o que ansiava era por um primogênito que fosse, tal qual ele, santista. E foi o que aconteceu, sou santista convicto e louco por futebol desde antes o dia 21 de março de 1974.

Assim como muitos que nasceram após o dia 16 de Julho de 1950, eu também recebi uma versão pronta e imutável sobre a Copa no Brasil: era o maior fiasco da Seleção e Barbosa era o culpado por aquilo. Cresci com essa máxima e como contestar? Afinal o time perdera a Copa em casa podendo até mesmo empatar. E, convenhamos, o Uruguai que eu conheci é um fregues da Seleção, tendo hoje quase a metade vitórias. Como não acreditar na história que fora passada por meu pai e tios? Nenhum deles tinham visto e nem ouvido a final, mas também receberam a história do fiasco e fracasso. Virara um ditado popular, repassado sem que soubesse o porque. O que importava era ter um culpado dentre os culpados. E este posto coube, injustamente, a Moacir Barbosa. Barbosa era goleiro e negro. Duas coisas que sempre foram vistas com desconfiança por muitos. Goleiro, via de regra, é o cara ruim de bola que para brinca vai pro gol ( vide este escriba ). E não existia melhor vítima para aquela derrota. 

Já disse mais de uma vez que o time do Uruguai era ótimo ( tanto que a mesma base foi até as semi-finais da Copa seguinte, só caindo diante do time de Puskas e cia. Mesmo assim na prorrogação e com um homem a menos!!! ), tanto que em 3 amistosos antes da Copa ( porque não jogamos contra a Argentina, que nao vinha pra Copa? ), o Brasil perdera um ( 3x2 ) e vencera com dificuldades os outros dois ( 2x1 e 3x2 respectivamente ). Obdúlio Varella mesmo disse que aquelas partidas serviram para que o time Charruá ( apelido da Celeste ) conhecesse muito bem o esquema dos brasileiros. Além disso, o time brasileiro fora envolvido num clima de oba-oba ensandecido depois de enfiar 6x1 na Espanha e ouvir um coro de 200 mil pessoas cantarem a marchinha de João de Barro "touradas em Madrid"


Acho que todos os meus leitores podem imaginar o que deve ter sido o coro... pois bem, na sexta tiraram a Seleção da Floresta da Tijuca para São Januário e ai, segundo Barbosa, foi como saírem do céu direto para o inferno. Era ano de eleições gerais ( Presidente, Governador, Senador, Prefeito, Deputados e Vereadores ) e claro, todos queriam tirar uma casquinha. Os jogadores passaram a não descansar e coisa e tal. Só faltou arquibancada para verem os "campeões mundias" tomar café na manha do domingo. Flávio da Costa ( que nome hein? ) se viu tao exasperado que levou o time para o Maracana às 11:00 ( 3 horas e meia antes do previsto ) para ver se conseguia calma para sua preleçao. Reza a lenda que ele colocou homens armados na porta do vestiário e ordenou: "quem passar, pode atirar para matar".

Sobre a partida, todos sabem como foi e eu mesmo já falei sobre o assunto aqui. O que se sabe, de certeza, é que Barbosa foi perseguido por aquela derrota até a morte. Ou melhor, até depois de morto. Até ser inocentado um ano atrás pelos 7x1. Sim, inocentado. Ele mesmo cunhou uma frase que tornou-se célebre: "no Brasil a maior pena possível é de 30 anos. E eu cumpro pena a quase 50 anos ( morreu em 07/04/2000 ) por um erro que nao cometi". Zizinho, o craque maior daquele time repleto de craques, nem sabia como chegou em casa. Danilo Alvim foi quase agredido ao ir jantar com sua esposa. Bauer, único não carioca naquele final, foi recebido como um comum em São Paulo. Friaça, autor do gol brasileiro aos 7 minutos do segundo tempo nem é lembrado como merecido. Ademir - até hoje o sul-americano com mais gols marcado em uma edição de Copa, só atrás de Gerd Muller e Just Fontaine - morreu sem ser reverenciado como grande atacante que foi. Nem no Sport, onde foi ídolo, ele é tao lembrado convém ressaltar.

Por isso neste dia, meus caros, eu só consigo pensar pelo o que passaram todos aqueles 22 homens que levaram o Brasil a conquistar o seu melhor resultado até então. Só consigo imaginar que aquele time deveria estar no rol dos grandes times de nossa história. Eu não consigo pensar em nada do que aconteceu no Mineirão, ali sim um FIASCO sem qualquer precedentes. até porque países sem tradição como EUA, Chile, Suíça e México não foram humilhados nas Copas em que organizaram como fomos ano passado. 

E que descansem em paz todos os que, verdadeiramente, honraram uma nação. Mesmo que esta naçao nao tenha feito o mesmo por eles.

quarta-feira, julho 9

Enfim, após 64 anos, a liberdade!!!


Moacir Barbosa do Nascimento. Um nome que dito assim, muitos não devem conhecer. Mas o nome do meio é ligado, injustamente, ao maior vexame da história do futebol brasileiro. Ou ao menos assim era considerado até ontem. 

Barbosa era um goleiro soberbo, respeitado e admirado por argentinos e uruguaios, o que é raríssimo. Barbosa era. A ponto de os rivais sulamericanos terem tentado, por mais de uma vez, contratá-lo para jogar em clubes dos dois países. Mas Barbosa era o goleiro do Expresso da Vitória, como era conhecido o Vasco da Gama dos 40. Venceu 5 campeonatos cariocas naquela década, e em 1948 vencera o embrião da Libertadores ( que só seria criada 10 anos depois do Maracanazo ), disputado no Chile. Encarou de igual para igual "la maquina" do River Plate, e Barbosa teve a sua maior atuação, segurando o 0x0. Foi tão impressionante a sua atuação naquele dia, que os míticos Perdenera, Lusteau e Di Stefano - falecido ontem - pediram ao presidente do River a contratação de Barbosa. 

No dia 16 de julho o Brasil decidia a Copa contra o Uruguai. Desde 1947, Peñarol e Nacional tentavam contratá-lo, sempre em vão. Nem o Vasco tinha interesse em vender, mas sobretudo Barbosa jamais cogitou deixar o Gigante da Colina. Naquele fatídico dia de 1950 Barbosa fazia uma partida dentro de sua imensa qualidade. No primeiro tempo fizera uma grande defesa é chute de Schiaffino. Antes do mesmo empatar a partida, ele tirara uma cabeçada perigosa de outro avante charruá. No lance do empate mesmo, ele quase evitava o gol.

Mas veio os 34 minutos do segundo tempo. Veio Alcides Ghiggia, arrancando pela direita para cima de Juvenal e depois Bigode. No lance do empate, 13 minutos antes, o ponta fizeram lance parecido e perto da linha da grande área, cruzara para Schiaffino. Barbosa, inteligente como era, imaginou que seria a mesma coisa, já que naquele momento o atacante já se posicionava para fuzilá-lo outra vez. Barbosa então deu um ou dois passos ( não tem como saber, pois não existe imagem ) para a sua direita, deixando um espaço entre ele e a trave. Era um pequeno espaço, mas sua atitude também foi antevista por Ghiggia, tão inteligente quanto o negro goleiro brasileiro.

Ghiggia deu um chute perfeito, que passou entre Barbosa e a trave. Com seu reflexos quase perfeitos, o nosso goleiro quase evita o gol. Mas este quase, não foi suficiente, como todos sabem. Eram 34 minutos. Faltavam 11 minutos ( num época em que não se davam acréscimos ), mas o jogo já estava decidido. Nada mais existia para ser feito. O máximo que o Brasil conseguiu foi uma cabeçada de Ademir de Menezes, que passou raspando a trave de Roque Máspoli.

Com o desastre, marcado para sempre como Maracanazo, todos esqueceram dos diversos erros cometidos durante a Copa e sobretudo na final:
  • O time estava concentrado em uma granja na Floresta da Tijuca. Depois do 6x1 na Espanha, segundo partida, o time desceu para São Januário. Segundo o próprio Barbosa o time saiu do céu para o inferno. Não havia mais tranquilidade, mais sossego. No sábado, véspera da final, a romaria foi insana. No domingo, só faltou plateia para ver os campeões do mundo tomarem café.
  • Um dos jornais do Rio de Janeiro levou sua edição de Domingo, que todos sabem saem no sábado a tarde, com a manchete: "Eis os campeões do mundo". Obdúlio Varela, capitão uruguaio, disse isso quando chegou com o jornal na concentração: "o que vocês vão fazer para responder a isso"? Foi o bastante.
  • A balbúrdia era tal, que Flávio da Costa - técnico brasileiro - levou o time para o Maracanã às 11:00hs, 3 horas antes do previsto. E fechou o vestiário. O time, portanto, almoçou mal.
  • O prefeito do Rio de Janeiro, Mendes de Moraes, fez um discurso antes da partida e disse: "congratulo os campeões mundiais". Mais infeliz que isso é impossível.
  • O time do Uruguai, ao contrário que muitos pensam, era bom de bola. O Brasil fizera 3 amistosos com eles antes da Copa: perdeu um em São Paulo por 4x3 e venceu dois realizados no Rio de Janeiro por 3x2 e 1x0 respectivamente. Portanto, nada apontava que poderia ser fácil vencer. Além disso, o goleiro Máspoli disse que esses amistosos foram determinantes para a vitória no dia 16 de julho, uma que vez que o time uruguaio usou praticamente o mesmo time da final nestas 3 partidas. Todos sabiam das qualidades e, sobretudo, das deficiências. Schiaffino confirma a tese: "eu sabia que Alfredo abria mais para esquerda, e Juvenal saía mais para direita. Foi por esse espaço que empatei a partida".
  • Flávio da Costa, técnico do Brasil, não se preocupou em melhorar o time para a partida decisiva. Foi um erro fatal, que o mesmo reconheceu anos depois.
  • A torcida calou-se após o empate. E deu motivação para os uruguaios. Ghiggia até mesmo cunhou uma frase célebre: "apenas 3 pessoas calaram o Maracanã com 200 mil pessoas: Sinatra, João Paulo II e eu".
Hoje Barbosa está, finalmente livre. Não será mais o responsável pelo maior fracasso do Brasil em uma Copa no Brasil. Aliás agora existe um fiasco maior em TODAS AS COPAS. Ele está libertado. Pena que não tenha vivido para presenciar isso. Morreu em 2000, aos 79 anos, pobre e esquecido. Mas não perdoado. De onde estiver, ele está rindo. E sentindo-se vingado.