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quarta-feira, junho 29

Memória: A atitude que mudou para sempre o futuro do futebol brasileiro

O garoto Rei, o paredão e o Comandante Genial...
Foi num 29 de Junho que o Brasil encarava sua segunda final de Copa, mas todos os fantasmas de 50 ecoavam na Suécia, o escrete canarinho iria encarar o país sede. Na véspera perdemos o sorteio das camisas ( os suecos também jogam de amarelo e azul ), e muitos acharam isso um mau presságio. Caso perdêssemos aquela final, o já famoso "complexo de vira latas" cunhado por Nelson Rodrigues ganharia força impossível de dimensionar.

Paulo Machado de Carvalho - o "Marechal da Vitória" e Chefe da Delegação - chega na concentração com 20 camisas azuis ( os dois goleiros não precisavam trocar a cor das camisas ) e diz a celebre frase: "vamos jogar de azul, que é a cor do manto de Nossa Senhora Aparecida, a Padroeira do Brasil", e isso encheu todos de confiança. Durante a noite membros da Comissão Técnica cortaram os escudos dos uniformes amarelos e os pregavam nos recém adquiridos azuis.

Vem o domingo e a chuva cai sobre Gotemburgo ( que não é a Capital, mas foi palco da final ). Os suecos usam rodos, panos e esponjas para tentar secar o gramado, mesmo que o campo pesado pudessem lhes favorecer, mas queriam uma disputa limpa. Ficariam para sempre arrependidos, mas o gesto nobre entrou para a história dos mundiais. E de fato as condições do gramado na hora da partida, se não excelentes, eram ao menos boas.

E os suecos sairiam na frente. E ai é que aparece a peça fundamental daquela conquista. Não falo de Mané, com seus dribles desconcertantes, com direito a dois lances iguais nos lances da virada brasileira, em gols de Vavá, o Peito de Aço. Nem de Pelé, autor de dois gols, sendo o artilheiro do Brasil naquela Copa, com menos de 18 anos. Nem de Gilmar, que operou dois milagres pouco falados quando o jogo estava apenas 2x1. Mas do Príncipe Etíope, do Mestre da Folha Seca, de Valdir Pereira ou apenas Didi...

Perdendo por 1x0, ele foi buscar a bola no fundo do gol e, lentamente, voltou para o meio do campo. Enquanto fazia isso tratava de tranquilizar a todos os seus companheiros, afirmando que a vitória viria ao final. E como um verdadeiro comandante levou o Brasil a ganhar a Copa. 8 anos depois de que, sem um jogador como Didi em campo, o Brasil perdera a Copa no Maracanã por falta de um líder sensato.

Ah sim, um "pequeno" detalhe: aquele jogador - do não menos mítico Botafogo - foi o melhor jogador da Copa. Apenas isso. 58 anos atrás, Didi ( que ligava TODOS os dias para sua esposa Guiomar ) deixou de ser apenas um excelente jogador para tornar-se mito. No mundo da bola ele é mais do que um campeão do mundo, é um imortal. Mas no país dele, a cada dia menos pessoas sabem quem foi ele.

E pensar que sem ele, talvez aquele timaço tivesse levado uma goleado do bom e esforçado time sueco e a história do futebol fosse completamente diferente. Salve Didi, Salve o futebol brasileiro.

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