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segunda-feira, junho 21

Ainda existem Juízes em Brasília, parafraseando uma frase do Século XVIII

 


Agora pouco a Ministra Rosa Webber, do STF, decidiu o que qualquer pessoas instruída já sabia: uma CPI não tem PODERES para convocar um Governador. No ordenamento jurídico brasileiro, somente o STJ - Superior Tribunal de Justiça - e as Assembleias Estaduais tem tal poder. E em condições bem específicas. Assim como o Presidente não pode ser convocado pelo Congresso e muito menos por uma CPI, é um tanto óbvio que Governadores não o possam, não é mesmo?

Assim sendo, os Governadores somente comparecerão a CPI da Covid-19 se assim desejarem. Caso contrário, nem lá pisarão os pés. Claro que os Bolsonaristas tentarão arguir que isso é uma prova de culpa e de medo. Mas eles já sabiam disso. Cumprem um vergonhoso papel de espalhar uma tese furada para tirar de cima do Presidente a culpa pelo caos sanitário.

Ademais, os Governadores seguem sendo investigados pela PGR, pelo MPF e o MPE, além da própria Polícia Federal. Que são órgão competentes perante a CF para isso. Mas é claro que ouviremos os hordas bolsonaristas reagirem com imagens que tentarão contestar o STF e de que o mesmo está contra o Presidente. Mas isso é, infelizmente, comum.

Quanto a citação, ela contém uma belíssima história, que posto no fim deste texto. Afinal, para os que não sabem, sou formado em História.

No conto Le meunier de Sans-Souci (O moleiro de Sans-Souci) François Andrieux, o autor da célebre frase que intitula este artigo, narra que quando Frederico II, então Kaiser da Prússia, pretendia ampliar seu palácio de verão em Sans-Souci, encontrou resistência por parte de um moleiro, proprietário de um moinho que ocupava terras necessárias para a ampliação.

O Kaiser, após inúmeras propostas recusadas, teria chamado o moleiro à sua presença e, do alto de sua soberba, afirmara que poderia expropriar o moinho contra a vontade do moleiro se assim entendesse, ao que o moleiro respondera “Vous!… de prendre mon moulin? Oui, si nous n’avions pas des juges à Berlin” (Vós… tomardes meu moinho? Sim, se não houvessem juízes em Berlim).

O alcance da frase remete, portanto, ao papel crucial da Justiça. Que no caso poderia opor-se ao Kaiser contra um simples Moleiro. Por isso o trocadilho com Brasília no lugar de Berlim. Uma CPI pode muitas coisas, mas não tudo. E enquanto existirem Juízes, isso não acontecerá.

sexta-feira, agosto 11

2017: Cem anos da Revolução Russa que semeou quase duzentos milhões de mortos no Século XX

Veja como é lindo o socialismo...
Neste ano completam-se 100 anos da Revolução Russa. 100 anos atrás, neste período, um país atrasado economicamente, devastados pela Guerra e a fome estava em ebulição. Um Czar desgastado pela I Guerra Mundial, com quase 17 milhões de mortos, via-se diante de um inimigo muito poderoso: o Marxismo. Ele não sabia o que fazer - ninguém no mundo sabia - e inicialmente perdeu o poder absolutista dado por Deus e depois, ao lado de toda a sua família - perderia a vida, numa execução cruel e sem explicação.

Assim nascia o que conhecemos como Socialismo real, deixando o campo teórico e desde então muitos deixaram seduzir pelas ideias totalitárias e desumanas emanadas dos textos de Karl Marx. Era assim Lênin e sua trupe, que tomaram a força ( e muito, mas muito sangue ) o poder na mãe Rússia. Irei produzir texto a respeito, mas por hora ( e falta de tempo ), trago para os amigos um texto do Site Aventuras na História, que retrata o que aconteceu 4 anos depois, em 1921, quando os bolcheviques já estavam consolidados no poder, mas tinham medo do maior inimigo de um ditador: ideias!!! A solução?? Matar e ou extraditar. Parece com algum país sulamericano atualmente?? Pois é...

A faxina de Lênin
A grande perseguição aos intelectuais opositores

Um espião conseguiu se infiltrar no encontro habitual que mantinham os seguidores de Liev Tolstoi. Depois da reunião, o informante foi até a Checa, a polícia secreta soviética, para denunciar que no grupo existia um membro sem dúvida subversivo, que os participantes chamavam de Sócrates. A partir daquele dia, o filósofo grego Sócrates (cerca de 470-399 a.C.) ganhou um dossiê da polícia política. 

Entre os muitos dados e informações que contêm os arquivos da antiga União Soviética e que, graças à Perestroika, começaram a vir à luz a partir de 1990, existem histórias como esta, que parecem saídas de um conto de Nicolai Gógol, precursor do surrealismo, que indicam o clima de paranoia que se começava a respirar na década de 1920, dentro da máquina de repressão organizada pelo governo bolchevique. 

Em 1921, a Nova Política Econômica (NEP, na sigla em russo), que sugeria uma certa abertura à economia de mercado e à propriedade privada para amainar a fome e a insurgência pelo país, veio acompanhada de uma maior pressão ideológica contra qualquer forma de dissidência. 

O artigo de Lenin Sobre o Significado do Materialismo Militante, publicado em 1922, foi sua declaração de guerra à dita intelligentsia reacionária: “A classe operária da Rússia foi capaz de conquistar o poder, mas ainda não aprendeu a utilizá-lo. Se houvesse, há muito tempo já teria enviado, da forma mais cortês possível, semelhantes pedagogos e membros de sociedades científicas aos países da ‘democracia’ burguesa. Esse é o lugar apropriado para criaturas feudais assim”. 

A partir daí, o líder bolchevique colocaria em marcha um meticuloso plano para levar a cabo as primeiras deportações coletivas. Começa por elaborar uma lista pessoal com nomes de filósofos, professores universitários, escritores, jornalistas, advogados, sociólogos, economistas, engenheiros, cientistas e outros profissionais que não apenas não haviam aderido à “revolução cultural” mas que, a partir de diversas tribunas, em Moscou e São Petersburgo, exigiam democracia, o fim da violência, a defesa do pensamento individual e a liberdade de expressão. 

“Estamos sozinhos”

Entre os escritores, alguns se exilaram voluntariamente e muitos foram “convidados” a viajar por “prescrição médica”. Os que permaneceram na União Soviética e não se juntaram à “revolução cultural” foram relegados ao silêncio ou se tornaram vítimas dos primeiros complôs orquestrados pelo governo comunista. Foi o caso do poeta Nicolai Gumiliov, fuzilado com outros 59 acadêmicos, artistas e intelectuais na periferia de São Petersburgo em 7 de agosto de 1922, acusado de pertencer a um grupo de contrarrevolucionários. No mesmo dia, morreu Alexander Blok, outro poeta, a quem se negou a saída do país para tratamento médico na Suíça. As duas tragédias causaram comoção na comunidade literária. “Estamos sozinhos”, escreveu Nina Berberova em suas memórias. 

Nem mesmo as contínuas mediações dos artistas simpatizantes do regime, como Maxim Gorki e Anatoli Lunacharski – este último, comissário de Educação, Arte e Cultura –, tinham efeito sobre Lenin. Os escritores estavam órfãos. Gorki, o escritor mais consagrado a permanecer na União Soviética, seguiu o conselho de Lenin e deixou o país naquele mês de outubro (voltaria em 1928). Outros se seguiriam.

Em Moscou e São Petersburgo revistas e editoras foram fechadas. As instituições de escritores e artistas, promovidas por Gorki, que até então eram paliativos para a falta de trabalho e de comida dos escritores, também desapareceram. A única instituição do período foi a temida Glavit (Direção-Geral de Assuntos Literários e Editoriais), o órgão de censura da União Soviética que manteve a sociedade isolada das ideias antagônicas ao bolchevismo. 

No primeiro expurgo coletivo, urdido por Lenin, os comunistas tiveram a colaboração da Alemanha, que facilitaria a emissão de vistos e ofereceria os barcos de transporte. Nesse meio-tempo, a lista continuou crescendo, com alguns professores e alunos universitários em greve pela defesa da liberdade curricular e exigência de mudanças nas condições de trabalho. Também alguns médicos, que haviam denunciado deficiências no sistema de saúde durante um congresso profissional, passaram a engrossar a relação – poucos, pois eram úteis ao regime. 

O último problema a ser resolvido era o aspecto legal. Não existia uma norma que permitisse a expulsão do país sem condenação prévia. Uma nova cláusula no código penal salvou a situação. Dizia que a deportação era um gesto de clemência para aqueles cujos crimes previam a pena de morte. Definiu-se, além disso, que o exílio poderia ser por tempo indefinido ou determinado, mas o regresso sem a permissão explícita das autoridades significava morte certa. 

A saída é pelo porto

A partir desse momento, tudo estava decidido. Em uma das cartas que Lenin enviou a Stalin, recém-nomeado secretário-geral do Comitê Central do Partido Comunista, dizia: “Vamos limpar a Rússia de uma vez por todas”. 

As prisões e interrogatórios dos suspeitos aconteceram na noite de 16 e na madrugada de 17 de agosto de 1922, em Moscou e São Petersburgo. No dia seguinte, em cidades da Ucrânia. Mais de 100 intelectuais foram presos, mas as detenções continuaram até setembro. Não é mistério por que, todos foram considerados culpados. 

Em 30 de agosto, o comissário de Assuntos Exteriores, Leon Trotsky, enviou uma mensagem ao Ocidente em entrevista a um jornalista estrangeiro publicada no Pravda, o diário oficial, na qual toca de leve no assunto com um comentário sobre a saída forçada: “Esses elementos que serão enviados ao estrangeiro são, do ponto de vista político, intranscedentes em si mesmos... Espero que não se neguem a reconhecer nossa prudente humanidade”. O jornal ampliou a notícia no dia seguinte. Sem explicitar os nomes dos afetados, explicava à opinião pública que a expulsão era o “primeiro aviso” à intelligentsia contrarrevolucionária. Os vapores da clemência de Lenin levariam a maioria de seus adversários de uma vez.

Em 29 de setembro de 1922, o barco alemão Oberbürermestier Hacken deixou o porto de Kronstadt com destino à cidade alemã de Stettin. Outro vapor, o Preussen, faria o mesmo no dia 16 de novembro, levando mais de meia centena de intelectuais. A maioria jamais voltou. Durante o embarque, a polícia proibiu que os passageiros levassem consigo joias, ouro e ícones religiosos. Em alguns casos, livros e dicionários foram requisitados – foram considerados patrimônios do país. Em suas memórias, o escritor Mikhail Osorgin conta que aos passageiros era permitido levar apenas um casaco, uma jaqueta de verão, duas camisas, duas calças, duas cuecas e cerca de 20 dólares. Ainda não se sabe o número total de deportados. A cifra mais realista conta entre 160 e 300 pessoas.

quarta-feira, março 2

Marco Antonio Villa: A hora é agora

Villa: meu exemplo de Doutor em História...
Trago para os amigos leitores do Blog, texto do Doutor em História Marco Antonio Villa, colunista de O Globo, da Jovem Pan e da TV Cultura. Ele também é Professor USP São Carlos.

Vivemos uma quadra histórica decisiva. Retirar Dilma Rousseff do Palácio do Planalto é um imperativo de sobrevivência para o nosso país. E esta é a hora. Afastar Eduardo Cunha da presidência da Câmara é o primeiro passo para viabilizar o impeachment. Sua permanência é um elemento que enfraquece a legitimidade de todo o processo. É absurdo um réu no Supremo Tribunal Federal conduzir uma ação de moralização da coisa pública. Sem esquecer que ele desmoraliza também a ação que corre no Tribunal Superior Eleitoral, que pode anular o pleito de 2014 e convocar novas eleições em 90 dias. Quem assume, neste caso, a presidência da República? Eduardo Cunha. Diria Bussunda: “Fala sério!”

Depois de hibernar por um decênio, a oposição acordou. Criou um comitê pró-impeachment suprapartidário com participação da sociedade civil. Mobilizou seus parlamentares e as estruturas partidárias. Assumiu o compromisso de ir — finalmente! — às ruas. E serão as manifestações populares que vão dar a temperatura para a luta parlamentar. A ponte entre o Parlamento e as ruas é essencial para o sucesso do impeachment: é a conexão da cidadania com seus representantes. Daí a importância de cada brasileiro acompanhar como votará o seu deputado no momento da autorização da abertura do processo do impeachment.

Já o empresariado continua em silêncio. Registre-se a honrosa exceção da Fiesp, que, em dezembro do ano passado, se manifestou em defesa do impeachment. As outras federações estaduais ficaram caladas. A CNI fez cara de paisagem. As entidades vinculadas ao agronegócio, os banqueiros e representantes do setor terciário da economia, até agora, se omitiram. Isto em plena recessão de -4% em 2015 e, provavelmente, também em 2016, podendo se aproximar de -5%. Em meio à depressão, os dirigentes empresariais optaram por coonestar, através do silêncio, a “macrodelinquência governamental,” tão bem definida pelo ministro Celso de Mello. Estão descolados de suas bases, pois os reclamos são diários. Agem como os velhos pelegos, usufruem das benesses dos sindicatos e das associações — aguardam a solução da crise de braços cruzados e de costas para seus representados.

O brilhante trabalho da 13ª Vara Federal do Paraná não pode ser o principal — e quase único — instrumento de moralização da coisa pública. A Justiça está fazendo o seu papel. Agora cabe aos políticos tomarem a liderança do processo, rompendo com a inércia e não ficar esperando — oportunisticamente — o desgaste do governo, pois, assim como o hábito não faz o monge, a crise, por si só, não levará a queda do petismo.

O governo não governa. Está paralisado — assim como o país. Dilma Rousseff não tem mais qualquer capacidade permanente de interlocução com o Congresso e nem com os setores empresariais. Com a sociedade em geral, nem se fala. É um zumbi. O isolamento é tão patente que inclui o seu próprio partido, o PT. Seus principais ministros — como o da Fazenda ou da Casa Civil — desapareceram do noticiário.

A presidente se sustenta no vazio e aprofunda o desastre econômico. Perdeu a capacidade de governar. Quanto mais cedo sair, melhor para o Brasil. Não há mais qualquer possibilidade de que possa politicamente se recuperar. A agonia do PT não pode ser a agonia do Brasil.

Desde já é fundamental construir as condições de governabilidade, dar previsibilidade ao Brasil pós-PT. Esta é uma tarefa muito importante. Apesar de ser tão evidente, cabe demonstrar, especialmente aos agentes econômicos, que a manutenção de Dilma Rousseff à frente da presidência da República significa a permanência do caos econômico-financeiro e, mais ainda, sem perspectiva, a médio prazo, de saída para a crise que vivemos, a mais grave da história republicana.

A busca de um consenso, abrindo condições para um curto mandato presidencial, aproxima-se do cenário de 1992, quando da crise que levou à renúncia de Fernando Collor. Porém, hoje, a conjuntura é mais complexa. Michel Temer não é Itamar Franco — inclusive, Temer, pode ser cassado pelo TSE. Projeto pessoais — mais que partidários — obstaculizam a construção de um governo de transição. A necessidade de que o novo governo adote medidas econômicas urgentes — e, nem sempre populares — é mais um complicador. O receio — exagerado — de que o PT na oposição saia fortalecido não passa de uma falácia. Hoje, o problema central do PT é com a Justiça e não com a política — e só não teve cancelado o seu registro partidário, como dispõe a lei 9.096/95, artigo 28, inciso III, porque o TSE é leniente com o crime eleitoral.

A solução política da crise não pode — novamente — frustrar os brasileiros. É essencial que as instituições efetivamente funcionem. E para isso a punição dos responsáveis pelo petrolão é fundamental — mesmo que, entre eles, possa ter um ex-presidente da República. Não é mais possível aceitar uma conciliação que ignore os valores republicanos, que rasgue a Constituição.

O processo iniciado com a redemocratização, em 1985, está incompleto. São absolutamente incompatíveis democracia e petrolão. O estado democrático de direito não pode ser o apanágio dos corruptos, como nos últimos 30 anos. Identificar as mazelas brasileiras é somente um momento neste movimento. Cabe construir as condições para que a administração da coisa pública saia do noticiário policial e volte às páginas de política. O primeiro passo é retirar Dilma Rousseff e o projeto criminoso do poder. E quanto mais rápido, melhor. Só há um grande interessado em postergar a solução da crise: é o PT.

domingo, abril 26

Salgueiro na Final. Festejemos, mas queremos mais

Valdeir agradece e os companheiros correm para abraçar-lhe. Assim fez-se história.
Atualização: a partida é na quarta, no Cornélio de Barros e a final no domingo no Arruda.

O Salgueiro tinha ido do céu ao inferno em apenas 3 dias: no domingo batera o Sport por 2x0 para na quarta tomar o mesmo placar e ser eliminado pelo Flamengo na Copa do Brasil. Para hoje voltar ao céu novamente, ou talvez até além... quem sabe no Paraíso?

A partida era complicada, contra uma grande equipe, na Arena Pernambuco... mas o time tinha vantagem de poder perder por um gol de diferença. Segurou-se bem, buscando o gol e pressionando o Sport. Até que uma cobrança milimétrica de Diego Souza cortou a sobra que o Carcará tinha. Outro gol e a partida iria para os penaltys. Mas o Salgueiro de Sérgio China, ao contrário do que fizera na quarta em casa, era ousado. Buscava matar o confronto, mas sem deixar brechas para o Sport. Em suma, jogava com extrema inteligencia. 

O Sport desesperava-se aos poucos. Cada minuto que passava era uma eternidade para o Salgueiro, enquanto que duravam menos de 20s para o time da Capital. Eduardo Batista tirou defensores e colocou atacantes, tirando até Diego Souza de campo. Mas o Salgueiro seguia jogando bem e o Sport ficou totalmente desesperado. Abriu espaços e foi pro tudo ou nada.

E aos 42 minutos, num contra-ataque mortal, o volante Pio deu com açúcar para Valdeir superar Magrão e sacramentar a classificação. Neste momento, o Sport precisaria fazer mais 2 gols em menos de 10 minutos. Claro que não daria, como de fato não deu. E o Carcará vai pra final, o que já é histórico...

Primeiro porque nosso time tem apenas 10 anos. Segundo porque em 100 anos, isso mesmo 100 anos, nunca um time fora da Capital Recife chegara na final. Porto e Central, a dupla de Caruaru conseguiu ser vice-campeões ( 97 e 2008 respectivamente ), mas nestes campeonato s não tivemos partidas finais ( curiosamente o Sport venceu ambos de forma direta ). Agora não, teremos partidas decisivas, com a primeira já no domingo no Cornélio de Barros. Por fim, derrubamos definitivamente o último bastião do futebol da capital: o Sport era o único ainda virgem das travessuras do Carcará. Em 2014 tiramos o Santa Cruz da Copa do Nordeste e da Copa do Brasil dentro do Arruda. E este ano eliminamos o Náutico ( também o maior fregues do Salgueiro ) da Copa do Nordeste e das Semifinais do Pernambucano. Agora o Sport também já tem o que contar sobre o Carcará.

Agora é passar a semana treinando e preparar-se para seguir fazendo história. O Salgueiro está pertinho do paraíso. E é preciso querer mais que o Santa Cruz ( que já perdeu pro Salgueiro duas vezes este ano só para constar ) o título, porque para nós é inédito, único e espetacular. Para o Santa Cruz, embora importante, será apenas mais um numa sala de troféus. Por isso, temos que encarar como se nossa salvação dependesse dessa conquista.

Até porque a história parece fadada a falar, e bem, do Carcará.

segunda-feira, setembro 29

22 anos do Impeachment de Fernando Collor de Mello

Este dia ficou marcado na história...
Eu tinha 18 anos e iria votar pela primeira vez. Lembro-me em quem votei: Creuza Pereira e João Neto ( do Sítio Lagoinha ). O então Presidente Fernando Collor de Mello vivia uma grave crise em seu Governo. Na época parecia um grande caso de corrupção, mas na prática era Caixa 2. O que de mais grave se provou foi a compra de um veículo Fiat Elba. Ligações com o Uruguai e tudo mais, contudo nada ligado ao ex-presidente. Mas nada disso era importante naquela época. 

Collor derrotara Lula em 1989, por pouco mais de 4% dos votos no segundo turno. E o Partido fez o melhor sempre soube fazer: tumultuar o Governo do "Collorido". Quando o irmão Pedro Collor deu uma entrevista bombástica a Veja ( naquela época o PT e seus asseclas não questionaram a idoneidade da Revista, só para não deixar passar batido ) causou uma verdadeira revolução. Foram dias de muito debate no Congresso, onde foi instalada uma CPI. As defecções começaram rapidamente e poucos ficaram do lado de Collor. 

Entre os que queriam a sua queda, destacava-se o Sr. Diretas, Ulisses Guimarães, então presidente do Congresso. Caso Collor caísse - e todos contavam com a imediata renúncia de seu vice, o obscuro Senador Itamar Franco de Minas Gerais - ele é quem assumiria ( enfim ) a Presidência. Assim, todos os partidos de oposição decidiram deixar Collor sangrar até perto das eleições. Assim sendo a votação que hoje completa 22 anos, aconteceu a apenas 4 dias do pleito daquele ano. Costumo dizer que a vitória de Creuza e tantos outros prefeitos mais a esquerda só foi possível com aquele fato.

Acontece que com o Impechment, Itamar assumiu e decidiu ficar no cargo. E isso foi contra o pensamento do PT e do PMDB. E permitiu que em 93 o PSDB de Fernando Henrique entrasse no Governo e... bom, o resto é outra história.

O que posso garantir é que se tudo aquilo tivesse estourado um ano antes ou um ano depois ele teria terminado seu mandato. O próprio Collor disse durante o escândalo do "mensalão" que por um terço daquilo ele fora cassado. Eu concordo com ele... só que Lula teve o seu "maior escândalo" estourado em um ano não eleitoral... o que também é outra história.

domingo, setembro 28

Hoje na História: Lei do Ventre Livre é sancionada


Alguns leitores sabem, outros não. Por isso eu explico de novo: sou formado em história pela Fachusc, no ano de 2009. Por isso, sempre que posso, eu coloco algum fato histórico aqui no Blog.

O Brasil foi o país das Américas a mais tardiamente ter posto um ponto final na Escravidão. Como todos sabem, isso se deu em 1889, no dia 13 de Maio. Embora o Movimento Negro comemore agora o dia 20 de Novembro, com o Dia da Consciência Negra, deixando o dia 13 de Maio quase no esquecimento... o que aconteceu no dia 20 de Novembro? É atribuído ao dia o nascimento de Zumbi dos Palmares. Segundo o ativismo bocó de hoje em dia, dia 13 de Maio é um dia de BRANCOS, porque foi uma BRANCA que assinou uma lei... pensamento bocó, com certeza...

Quando a Lei do Ventre Livre foi assinada, contudo, o Movimento Abolicionista já estava a pleno vapor no Brasil. Ela veio na esteira do fim da Guerra do Paraguai, onde nossos militares tomaram contato com países que não mais possuíam escravos e eram comandados por Presidente eleitos. Um choque, sem dúvida. 

O Imperador D. Pedro II defendia uma lenta abertura do regime de escravidão. Por isso que antes da Lei do Ventre Livre fora sancionada a Lei do Sexagenário, que tornava livre todos os negros que chegassem aos 60 anos. Acontece que a expectativa de vida de um branco naqueles dias era de 53 anos. De um BRANCO. Imaginem a de um negro escravo, que era exposto a todo tipo de sacrifícios e privações.

Já a lei que hoje completa aniversário era bem mais eficiente: todas as crianças nascidas nas Senzalas eram livres. O problema é que ainda levariam longos 18 anos para o fim total da escravidão...

terça-feira, setembro 2

Hoje na História: Rendição Japonesa encerra a II Guerra Mundial



Pouco mais de um mês após os terríveis ataques nucleares que sofrera, o Japão rendia-se aos Estados Unidos há 69 anos. Faz tanto tempo que meu pai nem era nascido para se ter uma ideia. Devastados pelos ataques em Hiroshima ( 06 de agosto ) e Nagasaki ( 09 de agosto ), onde morreram - só por causa do ataque em si - mais de 150 mil pessoas, o Imperador Hirohito determinou que seus ministros tratassem da rendição. Naquele momento estava em curso a invasão do Japão, que segundo planos dos militares dos EUA poderiam custar as mortes de 1,5 milhão de pessoas, só entre os nipônicos.

O Japão também já sofria pesadas derrotas dos soviéticos que tinham rompido um pacto entre as duas nações em 15 de abril, e já tinham tomado a Manchúria ( China ) e caminhavam sobre as posses do império japonês na Coreia. Esta última seria mal resolvida entre URSS e os EUA e se tornaria no primeiro conflito ( indireto ) entre as duas potências, a partir da separação da Coreia em duas, me 1948. Prova de que o homem vive tomando decisões erradas até quando acerta em algo.

O fim da Segunda Guerra foi assinado a bordo do USS Missouri, um sobrevivente do ataque de Pearl Habor quase 4 anos antes, que deflagara a guerra entre os dois países... 

segunda-feira, setembro 1

Quando o mundo se preocupa com os mais pobres...

Essa charge representa bem o pensamento mundial sobre o continente africano...
Segundo a ciência, a vida humana surgiu no que hoje é o Continente Africano. Foi lá que nossos antecedentes deixaram de apoiar-se em 4 patas, para usar os membros superiores para outras funções. De lá, um grupo deslocou-se para o que hoje é a Europa e outros, por meios até hoje 100% não comprovados, rumaram para as Américas.

Deixemos a história ( sempre enveredo por ela, devido a minha formação acadêmica ) da evolução humana de lado e falemos de momentos mais atuais. Desde o século XVII que a Europa, e depois a América, sugam tudo o que podem do continente negro ( embora, mais de 40% dos moradores do continente não sejam negros ). Primeiro retirando de lá os escravos para usarem como bichos em plantações. Depois suas riquezas naturais, sem se importar em criarem genocídios pelo domínio das áreas das minas. Enfim, o Continente sempre foi visto como um depósito, onde era só ir pegar o que necessário fosse para gerar riquezas para Europeus e, em menor escalar, Americanos.

Os mais atrasados, pobre e desiguais países dos mundo estão na África. Que possui em seu território 51 dos 54 minerais da Tabela Periódica. Em um cenário de pobreza, falta de educação e condições mínimas de saúde, as doenças proliferam. A Aids surgiu por lá, assim como o Ebola, que dizem ter sido contraído por pessoas que comiam morcegos. 

Pois bem, o Continente esquecido agora é motivo de todo tipo de atenção dos países ricos. Se a epidemia, em voga em 4 países africanos, sair de lá, poderemos reviver os horrores da Gripe Espanhola. E a mortalidade do vírus Ebola é maior do que o mal que afetou o mundo durante a primeira guerra. E que só no Brasil matou quase 200 mil pessoas. Projeções apontam que uma epidemia poderia matar, ao menos, 10 vezes mais.

Por isso todas as nações estão enviando ajuda humanitária e equipes de saúde para o foco da epidemia, na esperança de que ela possa ser detida onde está hoje. A OMS fez algo impensável: liberou remédios e vacinas ainda em fase de testes, dada a situação alarmante. 

Sabem como é, mortes de milhões na África não nos atinge, mas se for em nossa nação... e assim, tardiamente, o mundo descobre que existe uma parte do Globo que, sempre, merece atenção. Que foi o berço da civilização. E que, quanto ironia, pode ser a fonte do extermínio...

Seria a volta às origens? Seria o retorno ao pó previsto na Bíblia sendo levado ao extremo? Quem sabe, tomara que ainda dê tempo de salvar o mundo. E que a ajuda demonstrada agora, não cesse tão logo a epidemia seja controlada...

domingo, julho 20

Um pequeno passo para um homem, um salto gigantesco para humanidade

Neil Armstrong, Michael Collins e Buzz Aldrin. Os três pioneiros na lua.
Lançamento do foguete Saturno VII, que conduziu a Apollo 11 para o espaço
Neil Armstrong recolhendo material para pesquisas. Foto tirada por Buzz Aldrin.
20 de Julho de 1969. Quem tiver mais de 55 anos com certeza sabe bem o que fazia neste dia, caso morasse numa cidade. Ninguém nos centros urbanos ficou alheio ao fato marcante ocorrido naquele dia 45 anos atrás. 

O homem chegara na Lua. O feito era tão impactante, que para muitos não passou de uma armação do governo dos EUA para enganar os soviéticos, rivais em tudo naquela época, também na Corrida Espacial. Naquele dia Neil Armstrong disse a frase que dá nome ao post, uma das mais repetidas em toda a historia, com certeza.

A Apollo 11 foi lançada em 16 de julho de 1969, mas muita coisa teve que ser feita antes que ela pudesse decolar. Tudo começara 12 anos antes, quando os soviéticos lançaram o Sputnik, um satélite que deu a volta ao mundo. A partir daí, os dois lados não mediram esforços. Em Abril de 1961 outra vitória de Moscou: Yuri Gargarin tornou-se o primeiro homem a passear pelo espaço. Em Fevereiro de 1966 os soviéticos conseguiram pousar com sucesso uma nave em solo lunar. Não tripulada. Mas a nave não voltaria de lá, ficou perdida no espaço. Mas estavam perto.

Contudo além de política, esta era uma disputa econômica. Opunha o melhor do capitalismo e socialismo em plena guerra fria. E os EUA tinham muito mais recursos ao seus dispor, pois dólares não faltavam, já a grana da URSS era bem mais curto. E a corrida espacial seria uma das causas da queda do sistema socialista, no fim dos anos 80. Os EUA não apenas conseguiram pousar uma tripulação na Lua, conseguiram derrotar o inimigo sem detonar um único disparo contra Moscou.

Neil Armstrong, Michael Collins e Buzz Aldrin entraram para a história. E sempre serão lembrados. Até por aqueles que acreditam ser tudo uma farsa...

quarta-feira, junho 25

Bósnia 3x1 Irã: Os persas perderam a chance de fazer ( mais ) história


O título deste post pode deixar muitas pessoas confusas. Natural. O Império Persa foi um dos maiores da história da Humanidade. Maior do que ele só o Império Romano, para se ter um ideia do tamanho alcançado. O que isso tem a ver com o Irã? Tudo. O território da atual Republica Islâmica do Irã fica onde era o centro do império persa. Mas em termos de futebol...

Pois é, o time do Irã passaria vencendo e faria história nas Copas. Mas o time da Bósnia tinha outros planos: deixar a Copa com honra. E conseguiu. 3x1 sem grande sustos. O sonho de classificação dos iranianos durou até os bósnios abrirem o placar...

quarta-feira, junho 11

África do Sul 2010: A Espanha enfim deixa de amarelar

Andrés Iniesta faz o gol que colocou a Espanha na história. E de modo nada nobre, a Holanda também...
A Copa do Mundo correra o Globo, mas faltava um continente: a África. E em 2010 ela finalmente foi ao continente onde surgir a raça humana. Sim, o Homo Sapiens surgiu no continente africano, caso você não soubesse. Derrotada pela escolha de sediar o Mundial de 2006, a África do Sul foi a escolha óbvia para 2010. Marrocos ainda ensaiou uma candidatura, mas foi logo removido da ideia pela FIFA. E assim foi feito. Bem caro. E com direito a elefantes brancos espalhados pelo país pobre e rico ao mesmo tempo. Lembra alguém?

O Brasil esperava deixar para trás a balbúrdia de Weggis e o desastre na Alemanha. Por isso contratou Dunga, o pior capitão a ter tido um dia o privilégio de levantar uma Copa. A lógica? Fechar a Seleção, fazendo exatamente o contrário do que fora em 2006. E assim ele o fez. Só que além de blindar o time do oba-oba e da imprensa, ele fez o mesmo com relação ao talento dos jogadores, levando diversas "perebas" pra Copa. Falo disso mais abaixo...

A Espanha era a campeã europeia e tinha um time azeitado. Mas a fama de amarelar em Copas poderia atrapalhar uma vez mais. Os alemães tinham uma geração nova e talentosa. E os argentinos tinham Messi em campo e o "deus" Maradona no banco. Poucos falavam da Holanda antes da Copa, alguns achavam que a Inglaterra poderia surpreender e a Itália era só a atual campeã do mundo. Ou seja, uma Copa normal podemos dizer assim... E um dado importante: até aqui, só o Brasil vencera uma Copa fora do seu continente...

As seleções classificadas estavam distribuídas pelos continentes:
  • América do Sul: Brasil, Argentina, Chile, Uruguai e Paraguai;
  • América do Norte e Central: EUA, México e Honduras;
  • Ásia: Japão, Coreia do Sul, Coreia do Norte e Austrália;
  • Oceania: Nova Zelândia;
  • África: Costa do Marfim, África do Sul, Nigéria, Gana, Camarões e Argélia;
  • Europa: Espanha, Holanda, Alemanha, Portugal, Inglaterra, Dinamarca, Suíça, Sérvia, Eslováquia, Grécia, Eslovênia, França e Eslovênia.

Os grupos foram assim decididos após o sorteio:

  • Grupo A: Uruguai, México, África do Sul e França. E pela primeira vez um país sede fica pelo caminho. Um dia alguém seria, mas coube esta primazia aos sulafricanos. Mas eles, olhando que o lanterna foi a França, então vice-campeã do mundo, isso tem que ser relativizado. Uruguai e México passaram, com os nossos vizinhos ficando em primeiro;
  • Grupo B: Argentina, Coreia do Sul, Grécia e Nigéria. Pela primeira vez em copas, os Nigerianos passaram bem longe da classificação. Já os argentinos passaram livres. A Coreia bateu a Grécia e ficou em segundo;
  • Grupo C: Estados Unidos, Inglaterra, Eslovênia e Argélia. Pois é... viver para ver o time dos Estados Unidos ficar em primeiro de um grupo. E com a Inglaterra em segundo. Eslovenos e argelinos apenas assistiram os que falavam inglês se classificarem;
  • Grupo D: Alemanha, Gana, Austrália e Sérvia. Os sérvios venceram a Alemanha e ficaram de fora. A Austrália perdeu a vaga pro ganeses por causa da goleada sofrida para os alemães na estreia. E assim ficou o grupo;
  • Grupo E: Holanda, Japão, Dinamarca e Camarões. A Copa foi na África, mas os africanos ficaram devendo. E o leões indomáveis nem se fala. A Dinamarca perdeu a vaga pro Japão. E a Holanda passou fácil. E chegaria longe na Copa;
  • Grupo F: Paraguai, Eslováquia, Nova Zelândia e Itália. Pensou que foi só a França e Brasil que ficaram em fase de grupo como campeões? Faltava isso para a Itália. E veio de forma cruel: sendo lanterna. O Paraguai passou em primeiro e os eslovacos em segundo. Perguntem pro time da Nova Zelândia se alguém reclamou de ficar em terceiro e uma das equipes que não perderam em solo africano?
  • Grupo G: Brasil, Portugal, Costa do Marfim e Coreia do Norte. Um dos países mais fechados do mundo e um dos mais pobres a já participar de Copas, voltou após 44 anos de ausência. Talvez fosse melhor nem ter ido: perdeu as 3, foi a pior defesa e causou ir no então baixinho ditador. O Brasil passou em primeiro, mas jogando mal as 3 partidas. Portugal fez a goleada da copa ( 7x1 diante da Coreia do Norte ), mas empatou com a Costa do Marfim, que em sua segunda Copa, seguiu sem se classificar pra segunda fase;
  • Grupo H: Espanha, Chile, Suíça e Honduras. Pode um time perder na estreia e terminar em primeiro? E quem venceu, não se classificar? Pois é, os suíços chocaram o mundo ao derrubarem os espanhóis, mas cairam perante o Chile e só empataram com Honduras e nem foram a segunda fase. A Espanha passou o rodo nos outros dois jogos e ao lado do Chile passou de fase, sendo primeiro no saldo;

Nas oitavas de finais tivemos embates memoráveis, começando pelo Uruguai se Luiz Suares passando pela Coreia do Sul ( 2x0 ), em Porto Elizabeth; Em Rutenburgo, Gana fez história chegando as quartas, ao bater o EUA por 2x1 na prorrogação; Em Bloemfontein, o jogo do revide. Em tempo, o revide não foi uma derrota recente ou coisa do tipo, mas sim um lance que deve ter lavado a alma do alemães, ao passar por 4x1 diante da Inglaterra e ver a choradeira dos ingleses que sempre falaram que os alemães reclamavam demais do lance de Wembley em 1966. Vejam como a bola entrou por muito... e logo os ingleses, aqueles que travavam tanto o avanço tecnológico no futebol...



Em Joanesburgo ( Soccer City ), a Argentina venceu - com um gol irregular - o México, por 3x1; Em Durban, a Laranja seguia na Copa, com um vitória suada diante de uma esforçada Eslovênia ( 2x1 ); Em Pretória, depois de 120 minutos de 0x0, o Paraguai acertou todos os penaltys e eliminou os japoneses ( 5x3 ), para felicidade de Larissa Riquelme; No Ellis Park, em Joanesburgo, o Brasil fez 3x0 no Chile e achou que estava tudo bem... "sabe de nada inocente". E por fim, na Cidade do Cabo o clássico Ibérico, vencido por 1x0 pelo europeus;

Nas quartas o primeiro jogo era o do Brasil. E Porto Elizabeth viu uma partida com dois tempos diferentes. No primeiro, o time de Dunga deu sinais de que poderia deslanchar e fez 1x0 podendo ter feito até mais. No segundo tempo... bom, no segundo tempo veio a pane do Brasil e a atuação de gala de Sneijder, que marcou os dois gols dentro da pequena área do goleiro Júlio César. E o esquentado Felipe Melo, que deixara claro para quem quisesse que seria expulso na Copa, fez isso aqui:


E Dunga ao olhar para o banco e procurar um talento para colocar em campo, ficou assim:
jegue!!!
E a Copa seguiu, com o jogaço entre Gana e Uruguai, no Soccer City. Tudo empatado após o tempo normal ( 1 x 1 ) e seguia assim na prorrogação. Até que aconteceu isto aqui:


Ao melhor estilo goleiro, Luiz Suarez meteu a mão na bola. E claramente o árbitro marcou a penalidade. Era marcar e ir para semi-finais, a primeira africana da história. Só que o jogador ganês mandou na trave, para delírio de Suarez, que estava saindo do estádio. Nas cobranças decisivas veio a vitória dos uruguaios, com cavadinha de Loco Abreu. Se o Brasil deu vexame, o que dizer da Argentina? 4x0 frente a Alemanha foi o fim da Era Maradona, como técnico. E a Espanha, com grande dificuldade, passou pelo Paraguai. Para tristeza de Larrisa Riquelme.

Nas semi-finais que foram jogadas em Cidade do Cabo e Durban, duas partidas completamente diferentes entre si: Holanda e Uruguai brigaram até o fim pela vaga na final, em um jogo eletrizante, mas na outra partida só a Espanha entrou em campo querendo jogar. Os alemães, sabe-se o porque ficaram apenas se defendendo, sem querer jogo. Carles Puyol fez o gol que colocava pela primeira vez os espanhóis na final. Na decisão do terceiro lugar, os alemães voltaram ao normal e bateram os uruguaios 3x2, em Porto Elizabeth.

E veio a final. Quem entraria para o seleto grupo dos campeões? A eterna amarelona ou a refinada e duas vezes vice-campeã? Uma terceira derrota deixaria para a Holanda a pecha de amarelar, por outro lado um vice da Fúria apagaria tudo o que a conquista da Euro 2008 trouxera. O Soccer City viu uma partida com grandes oportunidades e cheia de tensão. Arjen Robben teve duas chances de matar o jogo. Huitinga quase mata uma espanhol e foi expulso. Com um a mais, a Espanha encurralou os holandeses e faltando 4 minutos pro fim da prorrogação, eis que saiu o gol: Andrés Iniesta entra na área e enche o pé e finalmente coloca a Holanda no topo...


Os Artilheiros



Esta Copa conseguiu re-editar a marca que por mais de 30 anos coube ao Mundial do Chile: ter 4 artilheiros, todos com 5 gols marcados. O primeiro foi o carrasco do Brasil - como se o timeco montado pelo péssimo Dunga precisasse de um - o holandês Wesley Sneijder. O segundo foi o espanhol David Villa. O terceiro o uruguaio Diego Forlán e por fim o alemão Thomas Muller.

Uma coisa uniu eles 4: todos chegaram nas semi-finais. 

O Brasil na Copa


Dunga teve 4 anos para montar o melhor time possível. Só que ele optou por levar jogadores medianos, que lhe fosse fieis e que fossem jogadores de grupo. Se além disso tudo ainda fossem protestantes, era certeza de convocação. Uma informação dá uma ideia de quão pobre era o time: na foto acima está saindo o melhor jogador do Brasil naquele mundial, Elano. O outro melhor foi Ramirez, que suspenso não jogou contra a Holanda.

Olhar a lista de convocados hoje em dia é uma tortura: Graffite, Kleberson, Josué, Doni(!!!) e cia. O time não tinha lateral esquerdo e Marcelo já era um sucesso na Europa. O time tinha uma bomba relógio montada em campo, na figura de Felipe Melo. E outra no ambiente do time, que ficou sem folgas durante toda a Copa. Junte a isso o destempero de quem deveria acalmar e temos o cenário perfeito para o desastre. 

O plano era que Kaká criasse espaços para os outros. E só era este. Como o jogador do Real Madrid chegou bichado na Copa, o time não conseguiu render... E a bomba relógio em campo explodiu e foi expulso, como na imagem abaixo:


E assim chegamos ao fim da história das Copas. A partir das 17:00 desta quinta, começaremos a viver outro capítulo...

sábado, maio 24

Itália 1934: O Facismo entra em campo na conquista da Itália

Vitório Pozzo, com a Jules Rimet, comandou um esquadrão ofuscado pelo "Dulce" e o Facismo
A primeira Copa do Mundo em solo europeu ficou marcada pelo clima do pré-guerra e da exaltação do Facismo, regime que comandava a Itália. Benito Mussolini era presença certa em todos os jogos da "squadra azzura". Já havia o clima de tensão que resultaria no mais sangrento conflito da história da humanidade. Mas naqueles dias entre 27 de maio e 10 de junho, o futebol deu as cartas. Um dado importante: em represália ao boicote ao mundial realizado em 30 por parte dos europeus, a Celeste resolveu não participar deste na Itália. O que repetiria quatro anos depois na França.

Foi a primeira Copa para a qual foram previstas eliminatórias, pois ao contrário de 4 anos antes, os inscritos superaram demais as vagas previstas, que eram as mesmas 16. Até a anfitriã Itália precisou passar pelas classificação, algo que só aconteceu nesta Copa. Feitos os cortes, sobram 16 nações, assim distribuídas por seus continentes:
  • Europa: Itália, Alemanha, Bélgica, Suécia, Espanha, Suíça, Holanda, Tchecoslováquia, Romênia, Áustria, França, Hungria.
  • América do Sul: Brasil e Argentina.
  • América do Norte: Estados Unidos.
  • África: Egito.
O modo de disputa também foi muito diferente: os 16 países disputariam eliminatórias até a final. Isso implicava que 8 times jogariam apenas uma partida. E assim começou a Copa, com inacreditáveis 8 jogos no mesmo dia, o que só ocorreu nesta edição. Em Florença os Alemães passaram pela Bélgica ( 5x2 ); Em Bologna a vice-campeã Argentina perdeu para os suecos ( 3x2 ); Em Milão a Holanda caiu perante os suíços; Em Triste os tchecos superaram os romenos ( 2x1 ); Em Turim a Áustria precisou da prorrogação para eliminar a França ( 3x2 ); Em Nápoles Hungria passou fácil pelo Egito ( 4x2 ); Em Gênova a fúria espanhola eliminou um disperso Brasil ( 3x1 ); E na capital Roma, os anfitriões massacram o time dos EUA ( 7x1 ), para a alegria de "Il Dulce". E assim como 4 anos antes, apenas países do continente onde a Copa acontecia disputariam as fases mais agudas. Uma curiosidade que só seria quebrada pelo Brasil na França, quatro anos depois.


4 dias depois, mais quatro jogos: Alemanha 2x1 Suécia ( Milão ); Suíça 2 x 3 Tchecolosváquia ( Turim ); Áustria 2 x 1 Hungria ( Bologna ). Eis que em Roma... tivemos o primeiro empate em partida eliminatória da história das copas, após Itália e Espanha empatarem por 1x1 após 120 minutos de futebol. Naquela época, isso representava outra partida marcara para o... dia seguinte!!! Um fato: reza a lenda que um atacante italiano, a mando do técnico Pozzo, tenha dado uma cotovelada em Ricardo Zamora, goleiro da fúria. Zamora estava fechando o gol naquela partida. Existe muita controvérsia, mas o fato é que Zamora não jogou no dia 1° Junho e a Fúria caiu perante a Azzura por 1x0, gol de Meazza.

Agora restavam apenas 4 times. E no dia 03 de Junho, aconteceram as semi-finais:  Em Milão os donos da casa eliminaram o wunderteam ( time maravilhoso ) dos austríacos por 1x0, enquanto que em Roma os Tchecos passaram pelos Alemães por 3x2. No dia 7 de Junho, a Áustria perdeu para a Alemanha por 3x2.

E veio a decisão. Diante do "Dulce" só um resultado interessava: a vitória. E ela veio, mas com grande sacrifício. Puc abriu o placar os tchecos aos 31 minutos do segundo tempo. Parecia que não daria. Mas 5 minutos depois Orsi empatou ( argentino naturalizado ). A partida foi para a prorrogação. E o goleiro Planicka atuava com duas costelas quebradas por Meazza. Aos 5 minutos do primeiro tempo da prorrogação o gol que liberou o grito dos tiffosi ( torcedor, em italiano ) presentes no estádio ( não era o atual olímpico, que seria construído para os Jogos de 1960 ) começarem  a festa. Vitorio Pozzo respirou aliviado, já que a sua cabeça poderia rodar caso o time perdesse a Copa. E não é uma metáfora.

A Copa chegava ao fim. E ficaria eternamente marcada mais pelo fator fora de campo e a política do que dos grandes craques. Guiseppe Meazza um dos imortais do "calcio" é menos citado do que Mussolini. Dois árbitros foram expulsos por seus países por terem - ajudado - os anfitriões. Não seria a única vez em que o país sede mexeria seus pauzinhos para vencer...

O Artilheiro:
Oldrich Nejedly da vice-campeã Tchecoslováquia
Os Tchecos chegaram na final da Copa e devem isso muito aos 5 gols de Nejedly, artilheiro da Copa.

Brasil na Copa


Passados 4 anos, o futebol brasileiro seguia uma verdadeira bagunça ( passados 80 anos, mudou alguma coisa? ). Em 1933 o profissionalismo fora implantado, com a partida entre Santos x São Paulo da Floresta ( não é o atual time do Morumbi ) acontecida na Vila Belmiro e vencida pelos visitantes por 5x1. Acontece que a CBD permanecia amadora. E era ela quem determinava quem seriam os convocados. A rivalidade entre paulistas e cariocas era maior ainda do que em 30, a tal ponto de o Palestra, atual Palmeiras, colocar seus jogadores trancados em um sítio com seguranças para evitar o aliciamento da CBD. Que mesmo se dizendo amadora, pagava por jogadores. Assim é que o Diamante Negro foi para a Itália.

Mais uma vez com uma seleção enfraquecida, o time partiu para a longa viagem de navio, levando sacas de café para custear as despesas. O time chegou no dia anterior a partida e não foi páreo para os espanhóis, que rapidamente fizeram 3x0. Leônidas da Silva ( o Diamante ) descontaria. Ainda teríamos um penalty perdido por Waldemar de Brito. E assim tivemos nossa pior participação em Copas.

Se algo de bom pode ser visto, destaco duas:
  • O primeiro gol de Leônidas da Silva. Ele seria o artilheiro da copa seguinte;
  • Waldemar de Brito descobriria, 20 anos depois, um certo gasolina. Não sabem quem é? Espere até o texto de 1958...
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domingo, março 30

Editorial da Folha de São Paulo sobre o Golpe de 64

Um editorial bastante esclarecedor...

O Golpe Militar completará 50 anos no próximo dia 01 de Abril. Sim, dia primeiro de abril. Logo depois do golpe, alguém com mais cabeça resolveu modificar a data, considerando que a articulação começou na noite do dia 31 e o comando do golpe determinou, ainda às 23:45hs de onde sairiam as tropas e para onde iriam. Enfim, para mim - que sou historiador formado - a data é apropriada para ser a de deflagração de um golpe...

Os esquerdistas marxistas gostam de contar que o Golpe foi apenas e tão somente uma agressão da Direita ( representada pela UDN ), que em conchavo com Washington derrubou - do nada - um governo democrático. Não foi bem assim... 

E é neste ponto que o Editorial da Folha demonstra-se perfeito. Toca nos pontos do passado, pontua a própria culpa e faz uma análise - pra mim - precisa. Para ler aqui clique aqui e leia um texto preciso, com serenidade e que faz jus à história do Jornal. 

quinta-feira, março 20

Um campeão lutando pela vida...

Você conhece este Senhor? Não? Pois saiba que ele inventou o gesto mais importante do futebol...
Este texto foi postado às 11:51 de hoje e eu pressenti, é verdade, que o pior iria acontecer. Agora, às 19:30, recebo a confirmação da morte de Bellini. Fica aqui a minha humilde homenagem a quem foi o pioneiro, em mais de um sentido, no futebol brasileiro e mundial. Que agora está ao lado do lorde, da girafa, do anjo das pernas tortas e dos outros companheiros seus que já estão no céu.

29 de Junho 1958. Estádio Rassunda ( que recentemente foi demolido ). Estocolmo, Suécia. Dia chuvoso. Final de Copa do Mundo entre Brasil e os donos da casa, que em um gesto nobre ( e igualmente impensável nos dias atuais ) usam todos os meios para secar o gramado, usando esponjas e baldes, tudo para que o espetáculo fosse em alto nível. Os suecos tinham a sua melhor geração e acreditavam que venceriam. Tinham time para isso convém ressaltar.

Eu poderia escrever 3 dias sobre esta partida, acontecida 16 anos de eu nascer ( por acaso amanhã faço 40 anos ), tantas são as lindas, tocantes e até dramáticas histórias. Poderia discorrer sobre como sepultamos o complexo de vira-latas, que Nelson Rodrigues criara após a eliminação na Copa anterior frente ao Hungáros ( que eram bem melhores, diga-se ). Poderia falar do menino de Três Corações que viraria simplesmente o Rei do Futebol. Ou de Valdir Pereira, o Mestre Didi, que para mim é menos reconhecido do que merece. Aliás, o craque da Copa caso você pense que foi Pelé, está bem errado. Foi Didi, que ganhou apelido de Príncipe Etíope. E quando o Brasil levou o primeiro gol, carregou calmamente a bola até o campo, em cena imortal, pedindo calma e dizendo para seus companheiros jogarem o que sabiam. Parecia até um Obdúlio Varela tupiniquim. Teve o mesmo efeito, aliás.

Poderia falar de Mané, de Vavá ( o peito de aço ), de Djalma Santos ( o lorde ) que com apenas uma partida foi eleito o melhor lateral da Copa! Poderia falar de Zito, Zagallo ( que fez gol )... poderia falar da Enciclopédia Nilton Santos, o melhor lateral esquerdo de todos os tempos. Mas o post é sobre o senhor acima ( na foto colocando suas mãos para molde que está no Maracanã ). Mas porque as mãos dele são mais importante que os pés?

Seu nome, antes de mais nada, é Hideraldo Luiz Bellini, nascido em 07/06/1930, na cidade paulista de Itapira. Talvez Bellini foi, daqueles 11 que entraram em campo, o mais desprovido de técnica. Mas estava longe de ser um zagueiro ao estilo Felipão ( sim, Felipão era zagueiro e horrível, diga-se de passagem ). Ele era o capitão do time, de um time repleto de craques. Coube a ele levantar a primeira Copa vencida pelo Brasil. E foi ai que ele entrou para a história. Antes dele, receber a Taça era uma mera formalidade, não um gesto espetacular. E assim o era em todas as competições. Assim como os uruguaios que inventaram a volta olímpica ( ao percorrer todo o campo em festa após receberem a medalha de ouro em Paris em 1924 ), ele criou um gesto. E foi totalmente ao acaso. Vejam esta foto de Fritz Walter recebendo a Jules Rimet em 1954:


Reparem que ele a pega como um coisa "comum". Não era desdém como alguém poderia pensar. Era o costume. Até a Copa de 38 a mesma era entregue em uma cerimônia na noite do jogo. Em 1950, desnorteados com a derrota que consideravam impossível, os dirigentes brasileiros não entregaram o trofeu a Varella ( o presidente da Fifa Jules Rimet teve que descer das tribunas e realizar a entrega ). Em 1954 o padrão era receber e tirar fotos. A Alemanha mal deu uma volta olímpica, embora esta já fosse mais do que usual.

Voltemos a Estocolmo. Após a partida ( a propósito vencida pelo Brasil por 5x2 ) o Rei Gustavo vai entregar a Taça a Bellini, um verdadeiro batalhão de repórteres estavam em fila. Ai lá no final, alguém teria gritado: levanta mais a taça ai... e Bellini atendeu. Assim nasceu o gesto de levantar a Taça sobre a cabeça em sinal de triunfo. Assim Bellini entrou para a história do mundo do futebol, não apenas do Brasil. Abaixo como teria ficado o gesto e como ele se eternizou...

A cena usual na época...
e como sempre será lembrado... observe a cara de Bellini, parece até sem jeito, não é mesmo?
Ao chegar aqui, você deve estar se perguntado: mas o post é "UM CAMPEÃO LUTANDO PELA VIDA". Pois é, o amigo leitor tem razão de perguntar. Parafraseando ( e forçando bem a barra ) Abrahm Lincoln: "eu poderia escrever discursos curtos, mas quando começo fico preguiçoso em parar". Gosto de falar sobre esportes, quem me conhece sabe bem disso, e resolvi aproveitar que Bellini está internado em estado grave na UTI do Hospital 9 de Julho ( na capital paulista ) para demonstrar aos amigos leitores quem ele é. Muitos não sabem, mas eu sempre lutarei pela memória esportiva do Brasil. Sempre. 

O grande Bellini luta pela vida. Talvez perca a batalha, mas o seu lugar na história já está garantido. Mesmo que não se lembrasse mais disso, pois sofre a 10 anos com o terrível e devastador mal de Alzheimer. Cabe a nós, brasileiros, nunca deixá-lo cair em esquecimento.

Longa vida a Bellini!!!

quarta-feira, fevereiro 26

Plano Real 20 anos: o que diziam os adversários na época

O que seria do Brasil sem a coragem deste homem?
Votei, não nego e nem teria porque fazê-lo, em Fernando Henrique Cardoso na eleição de 94. E acreditem tal voto não teve qualquer ligação com o Plano Real, cujas bases ele lançou em 93, 3 meses após ter assumido a pasta da Fazenda. Reunindo um grupo de jovens economistas, salvou o Brasil da Hiperinflação que vigorava em nossa nação a mais de duas décadas. Muitos atribuem ao economista Rubens Ricupero, que depois o sucederia como Ministro da Fazenda, outros dizem que o pai do Real foi o presidente Itamar Franco ( que até o último momento perguntava pelo congelamento de preços ). Mas coube a FHC, futuro presidente e o primeiro a governar por mais de 5 anos de forma democrática, a decisão de implantá-lo. 

Porque falar isso? Porque votei nele e não no Lula? Não exatamente, mas sim porque ontem oficialmente comemorou-se os 20 anos da lançamento do Plano. Embora diversas medidas estruturadoras tenham sido tomadas quase um ano antes da foto acima, foi no dia 25 de Fevereiro que tudo se tornou mais claro. A época FHC já era mais do que certo como candidato do PSDB a presidência, e nem poderia ser diferente. Mas isso para mim já era irrelevante. Mas para o PT, não...

O Plano foi implantado e o Brasil nunca mais soube o que é hiper, mega, super ou qualquer outra coisa acima de inflação, contra a vontade do PT que foi até o Supremo contra o Plano. Fomos, neste ponto, alçados ao grupo das nações de primeiro mundo, onde inflação existe, mas raramente ela passa dos 2 dígitos. É claro que chegamos a passar disso ( o máximo foi de 22%, ainda no Governo de FHC ), mas ficou no passado o tempo em que a inflação anual era de, acreditem nisso jovens, de 5000% ao ano!!! Uma vez na presidência FHC cometeu erros, como todo Governante. A emenda da re-eleição, pra mim, foi o maior deles. Por isso não votei nele em 98, quando escolhi votar em Ciro Gomes. Tivemos as privatizações, a desvalorização do real em 99... foram erros que o passado condena.

Por falar em passado... pois é passado é o campo de trabalho da história e para os que não sabem eu sou formado nesta matéria. E dou valor ao passado. Como forma de provar isso, aqui vão algumas frases de uns personagens históricos, dando suas opiniões sobre o Plano Real, na época de seu lançamento. Que deixa claro que FHC teve muita coragem ao lançá-lo. E que alguns, hoje, se envergonham do que disseram. Ou deveriam...

  • Lula ( adversário de FHC em 94 e presidente entre 2003/2010 ) - “Esse plano de estabilização não tem nenhuma novidade em relação aos anteriores. Suas medidas refletem as orientações do FMI (…) O fato é que os trabalhadores terão perdas salariais de no mínimo 30%. Ainda não há clima, hoje, para uma greve geral, mas, quando os trabalhadores perceberem que estão perdendo com o plano, aí sim haverá condições”. (Estado de S. Paulo 15.01.94) - “O Plano Real tem cheiro de estelionato eleitoral” (O Estado de S. Paulo, 6.7.94).
  • Guido Mantega ( atual Ministro da Fazenda )- “Existem alternativas mais eficientes de combate à inflação (…) É fácil perceber porque essa estratégia neoliberal de controle da inflação, além de ser burra e ineficiente, é socialmente perversa.” (Folha de S. Paulo – 16 de agosto de 1994)
  • Marco Aurélio Garcia ( Assessora especial da Presidência entre 2003/2010 )- “O Plano Real é como um “relógio Rolex, destes que se compra no Paraguai e têm corda para um dia só (…) a corda poderá durar até o dia 3 de outubro, data do primeiro turno das eleições, ou talvez, se houver segundo turno, até novembro”. (O Estado de S. Paulo, 7.7.94)
  • Gilberto Carvalho ( Ministro desde 2003 )- “Não é possível que os brasileiros se deixem enganar por esse golpe viciado que as elites aplicam, na forma de um novo plano econômico”(O Milagre do Real/ Neuto Fausto De Conto)
  • Aloizio Mercadante ( Ministro da Casa Civil e da Educação ) - “O Plano Real não vai superar a crise do país (…) O PT não aderiu ao plano por profundas discordâncias com a concepção neoliberal que o inspira” (do livro “O Milagre do Real”, de Neuto Fausto de Conto)
  • Vicentinho, atual líder do PT na Câmara dos deputados - “O Plano Real só traz mais arrocho salarial e desemprego” (O Milagre do Real)
  • Maria da Conceição Tavares - “O plano real foi feito para os que têm a riqueza do País, especialmente o sistema financeiro” (Jornal da Tarde, 2.3.94)
  • Paul Singer ( Porta-Voz da Presidência no Governo Lula ) - “Haverá inflação em reais, mesmo que o equilíbrio fiscal esteja assegurado, simplesmente porque as disputas distributivas entre setores empresariais, basicamente sobre juros embutidos em preços pagos a prazo, transmitirão pressões inflacionárias da moeda velha à nova.” (Jornal do Brasil – 11.3.94) - “O Plano Real é um arrocho salarial imenso, uma perda sensível do poder aquisitivo de quem vive do próprio trabalho”. (Folha de S. Paulo, 24.7.94)
  • Gilberto Dimenstein ( Jornalista ) - “O Plano Real não passa de um remendo” (Folha de São Paulo, 31 de julho de 1994 ).