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quinta-feira, novembro 17

Confederação de Basquete divulga Carta da FIBA e tudo é pior do que parecia

Carlos Nunes, se tivesse vergonho na cara, teria renunciado...
Falei na terça sobre o caos no basquete nacional. Eu, que joguei basquete e acompanho mais de perto, fiquei perplexo com a suspensão da CBB pela FIBA. O caos está instalado na Entidade desde muito tempo, começou no fim dos anos 80, justamente a época de ouro do time de Oscar Schmidt e cia. Sucesso esse que escondeu até 96 os erros graves erros das gestões. Com Grego, que ficou mais de 10 anos no poder tudo só degringolou. Carlos Nunes, que convém citar que era Secretário Geral de Grego, nada melhorou.

Ontem a CBB divulgou a Carta enviada pela FIBA, comunicando os motivos da suspensão da Confederação de todas as competições e o que precisa ser feito para a suspensão da sanção. Fábio Balassiano, do excelente Bala na Cesta, listou todos os pontos e - ainda mais perplexo - mal conseguiu acreditar no que teve que ler. Trago para vocês as impressões ( ou decepções ) de Fábio.


A CBB teve um raro momento de transparência ontem à noite. Não pela sua Nota Oficial informando que fará uma coletiva apenas na segunda-feira na sede do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), mas porque inacreditavelmente divulgou a carta que foi enviada pela Federação Internacional para mostrar os motivos pelos quais a entidade máxima do basquete brasileiro estaria sendo suspensa pela FIBA.

Se a entidade presidida por Carlos Nunes quis se expor ao ridículo é possível dizer que ela, sim, conseguiu. São tantas as razões elencadas pela carta da FIBA assinada pelo Secretário-Geral Patrick Baumann (novos empréstimos, dívidas crescentes, não ida a campeonatos, cancelamento da Etapa do 3×3 etc.) que a gente se pergunta mesmo as razões pelas quais a CBB não foi suspensa antes pela Federação Internacional. Para quem acompanha este blog, nenhuma surpresa, mas vamos aos principais pontos divulgados pela Confederação:

1) A FIBA informa logo no primeiro parágrafo que vem pedindo a criação de uma força-tarefa na CBB desde 2 de setembro de 2014 devido a problemas claros de gestão. A Confederação Brasileira informa que a suspensão foi ''surpresa''. Já são dois anos da Federação Internacional pedindo mudanças que não vêm. E a Confederação Brasileira afirma que foi surpreendida. Sério?

2) No terceiro parágrafo a FIBA diz que ''a CBB tem sido incapaz de controlar o basquete do Brasil ou de manter controle total de governança no país''. Ainda afirma que, apesar de não organizar nenhuma Liga no país, a Liga Nacional de Basquete está diretamente ligada aos times nacionais, pagando as passagens dos times de seleções nacionais e colocando um time completo (Pinheiros) para jogar com a camisa da equipe nacional (algo que este blog já falou há tempos). Que saia-justa, hein…

3) Em seguida a FIBA diz que ''a CBB falhou em participar de atividades e competições desde o final dos Jogos Olímpicos'' e crava: ''A não participação no Mundial 3×3 implica na suspensão automática das seleções do país em torneios desta natureza por um ano''. Outro ponto mencionado como grave foi a não realização da etapa do 3×3 no Rio de Janeiro, cancelada às vésperas de acontecer. O órgão máximo do basquete mundial se irrita profundamente com a ausência do Brasil nos Sul-Americanos Sub-15, o cancelamento dos Brasileiros de Base (TODOS de 2016) e por não ter havido nenhuma atividade da Escola Nacional de Técnicos desde 2014. Uma surra.

4) Aqui há algo que me chama atenção. No parágrafo seguinte a FIBA expõe que em 11 de abril de 2016 ''concedeu OUTRO empréstimo para a CBB e um período de carência para pagar todas as dívidas que a entidade tem com a FIBA. Considerando todas as repetidas falhas no acerto de contas com a FIBA, a FIBA se reserva ao direito de, conforme escrito em seu Estatuto, de exercer os seus direitos''. Logo em seguida a Federação Internacional cita o péssimo momento financeiro da Confederação Brasileira, afirmando que as dívidas têm crescido, que o prazo final para pagamento era 31 de julho (algo que, claro, não foi cumprido) e que a entidade de Carlos Nunes tem sido pouco capaz de pagar aos seus credores. Só lembrando: quem divulgou essa carta foi a Confederação Brasileira.

5) Por fim, a FIBA clama que, ''apesar da negativa situação esportiva, financeira, institucional e de governança, a CBB está planejando as próximas eleições sem nenhuma reforma ou reestruturação, o que tendo em vista as circunstâncias seria importante''. Ou seja: exige mudanças estruturais que a Confederação Brasileira NUNCA quis fazer. E, repito, a CBB divulgou a carta.

6) Na última linha, a FIBA pede a CBB colabore com a FIBA, montando uma equipe de trabalho (a tal força-tarefa) para o basquete brasileiro. Em breve Federação Internacional entrará em contato com a Confederação propondo os próximos passos para que a entidade máxima do basquete brasileiro saia do buraco surreal em que se encontra.

A FIBA foi, na verdade, benevolente com o basquete brasileiro, não suspendendo o esporte há muito tempo (como este blog vem demonstrando aliás). Desde 2014 a relação entre as duas esferas, presididas por Carlos Nunes e por Horacio Muratore, é tensa, recheada de problemas financeiros (a questão do convite do Mundial de 2014 é o ''auge'' disso tudo) e com queixas imensas da Federação Internacional à Confederação Brasileira.

Fico me perguntando sinceramente por que diabos a CBB divulgou isso ontem. É um atestado de incompetência de tamanho mundial que eu ainda estou embasbacado. Se queria que o mundo inteiro ficasse com vergonha do (péssimo) trabalho da entidade máxima do esporte no Brasil, a Confederação de Carlos Nunes conseguiu. Não é que a CBB faliu. A CBB se suicidou na frente da opinião pública. É muito surrealismo pra mim, vocês vão me desculpar.

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